Líder social-democrata decide abdicar de cargo em governo Merkel

Martin Schulz iria se tornar ministro das Relações Exteriores

O líder do SPD, Martin Schulz, em coletiva em Berlim, na Alemanha - Ferdinand Ostrop-7.fev.2018/AP
Berlim

O líder social-democrata alemão Martin Schulz confirmou nesta sexta-feira (9) que não irá assumir o cargo de ministro das Relações Exteriores no novo governo de Angela Merkel, conforme havia sido acordado nas negociações para formação da coalizão na Alemanha. 

Schulz disse que, com sua medida, busca pôr fim a disputas internas dentro do partido e angariar apoio para a chamada "grande coalizão". O acordo alcançado na última quarta (7) quase cinco meses após as eleições entre o Partido Social-Democrata  (SPD), de Schulz, a União Democrata Cristã (CDU), de Merkel, e a União Social Cristã (CSU), legenda-irmã bávara da CDU, deve ser submetido aos delegados social-democratas em convenção em 20 de fevereiro. O resultado será anunciado em 6 de março.

Muitos membros da base do partido são céticos quanto à renovação da coalizão com Merkel depois que o SPD obteve seu pior resultado histórico nas eleições de setembro.

Schulz anunciou na quarta que renunciaria ao cargo de líder do SPD para se tornar ministro das Relações Exteriores, o que levou a críticas internas pois ele havia dito antes das eleições que não participaria de um governo Merkel. 

Seu anúncio também aborreceu o atual o ministro, Sigmar Gabriel, também do SPD, que reclamou de "falta de respeito" e disse que é popular entre os alemães. 

Em nota divulgada nesta sexta, Schulz afirmou que as disputas internas poderiam afetar o apoio dos membros do partido à nova coalizão. 

"Declaro minha renúncia a juntar-me ao governo federal e ao mesmo tempo espero sinceramente que isso irá acabar com as disputas pessoais dentro do SPD ", afirmou em nota."Fazemos política pelo povo neste país, então é apropriado que minhas ambições pessoais tomem o banco de trás em prol dos interesses do partido."

"Foi a coisa certa a fazer", disse Axel Schäfer, parlamentar do SPD. "A base do partido rejeitou unanimemente sua decisão de juntar-se ao gabinete. Eles queriam que ele cumprisse sua palavra."

Uma pesquisa do instituto Forsa mostrou que quase três quartos dos alemães consideraram errado que Schulz se tornasse ministro.

Sigmar Gabriel disse ao grupo de mídia Funke que é um ministro popular e de sucesso, mas que "a liderança do SPD claramente não ligava a mínima para a avaliação pública do meu trabalho". O ataque  reforçou a impressão de um partido em crise. 

A decisão de abandonar a chefia da diplomacia alemã joga  Schulz no limbo político, afirmou o jornal britânico "Financial Times". Andrea Nahles deve substitui-lo na liderança do SPD.

"É uma queda extraordinária da graça para um homem que foi eleito líder do SPD há menos de um ano por incrível 100% dos delegados", disse o jornal. 

"Agora finalmente podemos começar a discutir como vamos implementar nossas políticas, em vez de que ministérios obtivemos", afirmou Johannes  Fechner, parlamentar social-democrata. "Estou certo de que a paz irá retornar ao partido."

Reuters e Financial Times
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