ONU pede a libertação de dupla de jornalistas presa em Mianmar

Entidade também lamentou a 'erosão da liberdade de expressão' no país

Yangon e Genebra | Reuters e Associated Press

O escritório da ONU para direitos humanos pediu nesta sexta-feira (2) que as autoridades de Mianmar libertem o mais rápido possível dois jornalistas que estão presos no país.  

Os dois repórteres da agência de notícias Reuters estão detidos desde 12 de dezembro e na quinta (1º) tiveram o pedido de fiança negado. 

"Nós repetimos nosso pedido pela soltura imediata e para que as denúncias sejam descartadas", disse o porta-voz de direitos humanos da ONU, Rupert Colville, em Genebra. "Nós estamos alarmados com a séria erosão da liberdade de expressão em Mianmar", afirmou ele.

As palavras ecoaram declarações dadas na quinta pelo secretário-geral da ONU, António Guterres, sobre o caso, quando ele também se disse preocupado com a diminuição da liberdade de expressão no país e pediu que a comunidade internacional atue mais fortemente para garantir a libertação dos dois jornalistas. 

Wa Lone e Kyaw Soe Oo são acusados de terem recebido documentos secretos de policiais, ato que segundo uma lei do período colonial pode ser punido com até 14 anos de prisão.

O advogado da dupla, Than Zaw Aung, afirmou que o juiz descartou libertá-los com fiança porque a lei na qual eles foram enquadrados não permite esse tipo de decisão. 

Os dois jornalistas negam as acusações e afirmam que foram alvos de uma armadilha feita pela polícia. 

"Já são mais de 50 dias desde que eles foram presos, eles devem ter a oportunidade de ficarem com suas famílias enquanto as audiências continuam" afirmou o presidente e editor-chefe da Reuters, Stephen J. Adler, em nota.  

O caso chamou a atenção internacional porque as prisões são consideradas uma tentativa do governo de Mianmar de intimidar os jornalistas que cobrem a operação militar feita contra os rohingyas, minoria muçulmana que vive no norte do país. 

Também na quinta, a ONU disse ver "indícios de genocídio" no tratamento que os militares birmaneses dão aos rohingyas. Cerca de 700 mil deles já fugiram do país para o vizinho Bangladesh

Desde o início da crise, em agosto, o governo birmanês impede o acesso de jornalistas e de enviados da ONU ao Estado de Rakhine, onde vivem os rohingyas. 

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