Sem votação, governo dos EUA corre risco de parar pela 2º vez

Lei orçamentária não havia sido aprovada no Senado horas antes do prazo final

Corredor de entrada do centro de visitantes do Congresso, com mensagem 'silêncio, por favor'; legisladores votam lei orçamentária de 2018
Corredor de entrada do centro de visitantes do Congresso, com mensagem 'silêncio, por favor'; legisladores votam lei orçamentária de 2018 - Chip Somodevilla/Getty Images/AFP
Estelita Hass Carazzai
Washington

O governo dos Estados Unidos estava a poucas horas de uma nova paralisação, na noite desta quinta (8), diante do desacordo sobre a aprovação do orçamento federal.

Por volta das 20h (23h em Brasília), nem o Senado havia votado a lei orçamentária anual, que continuava em discussão no plenário. O texto ainda precisava passar pela Câmara, em seguida, até a meia-noite (3h de sexta em Brasília). Do contrário, a administração de Donald  Trump ficaria sem dinheiro a partir de sexta (9).

Sem a lei orçamentária, os órgãos federais não podem fazer despesas e deixam de funcionar, no que é chamado, em inglês, de "shutdown". Apenas atividades essenciais continuam em andamento.

No dia anterior, senadores haviam chegado a um acordo bipartidário que definiria o orçamento pelos próximos dois anos. Democratas e republicanos comemoraram a proposta, que tirou de pauta temas polêmicos como a imigração, que dividia o congresso, a fim de atingir um consenso.

Mas houve oposição ao projeto, e de ambos os partidos. Nesta quinta (8), quem se opôs à proposta foi um senador republicano, Rand Paul, que se disse preocupado com o aumento da dívida pública e pediu que fosse votada uma emenda sobre o tema.

"Eu quero que as pessoas se sintam desconfortáveis. Eu quero que elas respondam: Como é que vocês eram contra os deficits do presidente Barack Obama e agora vocês apoiam deficits republicanos?", discursou Paul.

O projeto em votação no plenário estabelece gastos adicionais de US$ 400 bilhões nos próximos dois anos, a fim de contemplar reivindicações tanto de republicanos (em especial, programas militares) quanto de democratas (em políticas domésticas). Republicanos são críticos do aumento da dívida pública, e fizeram forte oposição aos deficits fiscais do governo Obama.

A lei ainda deve enfrentar forte oposição na Câmara, onde a líder democrata Nancy Pelosi disse nesta quarta (7) que não aceitaria um acordo que não contemplasse o destino dos "dreamers", jovens imigrantes que chegaram crianças aos EUA e que estão sob ameaça de deportação.

Escritórios federais foram alertados sobre a possibilidade de paralisação no início da noite. Se isso acontecer, será a segunda vez que o governo Trump enfrenta um "shutdown" —no mês passado, o governo ficou paralisado durante três dias, e só voltou a funcionar por causa de um acordo temporário sobre o orçamento, que expira nesta sexta (9).

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