Em 1ª visita à Califórnia, Trump critica estado por política migratória

Antes de ver protótipos de muro, presidente acusou governador de colocar EUA em risco

O presidente dos EUA, Donald Trump, conversa com jornalistas em San Diego à frente de um dos protótipos do muro da fronteira com o México
O presidente dos EUA, Donald Trump, conversa com jornalistas em San Diego à frente de um dos protótipos do muro da fronteira com o México - Kevin Lamarque/Reuters
Fernanda Ezabella
Los Angeles

O presidente americano, Donald Trump, foi recebido com protestos, mas também com cartazes e gritos de apoio, em sua primeira visita à Califórnia na manhã de terça-feira.

O estado é considerado marco zero na resistência contra seu governo, em especial suas políticas de imigração, meio ambiente e legalização da maconha.

Trump é o primeiro presidente em mais de 60 anos a não visitar a região em seu primeiro ano no posto. E a visita deve ser relâmpago. 

Ele chegou às 11h em San Diego (15h em Brasília) para inspecionar protótipos do muro que pretende construir na fronteira com o México e era aguardado para um jantar de republicanos em Beverly Hills, em Los Angeles, cujos ingressos iam de US$ 35 mil a US$ 250 mil. Ele deve ir embora na quarta-feira de manhã.

Diversos protestos estavam sendo organizados para sua chegada em Los Angeles, tanto na região de Beverly Hills como no centro, onde deve se hospedar. Em San Diego, apoiadores do governo apareceram com bandeiras e cartazes em favor do muro, misturados aos que foram se manifestar contra o presidente.

“Este muro é um símbolo de ódio e um monumento à supremacia branca neste país. Precisamos acabar com isto”, disse a professora Judith Castro, 27, ao jornal “Los Angeles Times”, que tirou folga para ir protestar perto da fronteira.

Manifestantes contrários ao presidente Donald Trump protestam contra a construção do muro na fronteira com o México antes de sua visita a San Diego, na Califórnia
Manifestantes contrários ao presidente Donald Trump protestam contra a construção do muro na fronteira com o México antes de sua visita a San Diego, na Califórnia - Kyusung Gong/Associated Press
Apoiadores do presidente Donald Trump carregam cartazes a favor da construção do muro na fronteira com o México e da deportação de imigrantes ilegais em San Diego, na Califórnia
Apoiadores do presidente Donald Trump carregam cartazes a favor da construção do muro na fronteira com o México e da deportação de imigrantes ilegais em San Diego, na Califórnia - David McNew/Getty Images/AFP

A Califórnia, estado mais populoso do país com 39 milhões de habitantes, passou um projeto de lei no ano passado transformando a região em “santuário”, o que impede que autoridades locais ajudem na execução de ordens federais de imigração, protegendo mais de 2 milhões de moradores ilegais.

Na semana passada, a Casa Branca entrou com uma ação contra o estado para que aplique a lei federal.

Em seu breve discurso em San Diego, Trump disse que o governador californiano, o democrata Jerry Brown, é “até um cara bacana”, mas que está “fazendo um trabalho terrível”. 

Ele também criticou a prefeita de Oakland, cidade perto de San Francisco, que no final de fevereiro alertou a população sobre possíveis operações de agentes federais que, dias depois, prenderam 232 pessoas.

Horas antes de chegar à Califórnia, o presidente foi ao Twitter expressar seu desdém pelo estado. “As políticas de santuário da Califórnia são ilegais e inconstitucionais e colocam em risco a segurança da nossa nação”, escreveu. “Isto deve parar.”

Brown respondeu ao ataque poucas horas depois, via Twitter, lembrando que a Califórnia é o estado mais próspero do país e a 6ª maior economia do mundo. “Obrigado pela lembrança, mas pontes ainda são melhores do que muros”, escreveu.

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