EUA, França e Alemanha condenam ataque com agente neurotóxico no Reino Unido

Países pediram que Moscou entregue informações sobre a produção do agente Novitchok

A primeira-ministra britânica Theresa May fala com chefe da polícia local em Salisbury, onde aconteceu o ataque a ex-espião russo
A primeira-ministra britânica Theresa May fala com chefe da polícia local em Salisbury, onde aconteceu o ataque a ex-espião russo - Toby Melville/AFP
Londres | Reuters e Associated Press

Os governos da França, da Alemanha e dos Estados Unidos, além do Reino Unido, emitiram um comunicado conjunto nesta quinta condenando o envenenamento do ex-espião Serguei Skripal e de sua filha, Iulia, em Salisbury (Inglaterra), e culpando a Rússia.

"Este uso de um agente neurotóxico de nível militar desenvolvido pela Rússia constitui o primeiro uso ofensivo de um agente deste tipo na Europa desde a Segunda Guerra", diz o texto assinado pelo presidente americano, Donald Trump, e pelos primeiro-ministros Emmanuel Macron, da França, Angela Merkel, da Alemanha, e Theresa May, do Reino Unido.

Os países pediram que Moscou entregue todas as informações sobre a produção do agente para a Organização para a Proibição de Armas Químicas. 

"Foi um ataque à soberania do Reino Unido e o uso [do agente] por um Estado é uma clara violação da Convenção de Armas Químicas e uma quebra da lei internacional. Isto ameaça a segurança de todos", diz o comunicado.

"Parece que os russos estavam por trás disso", disse Trump em reunião na Casa Branca com o primeiro-ministro da Irlanda, Leo Varadkar. O americano disse que está em contato com May e chamou o incidente de "uma situação muito triste" que os EUA estão levando "muito a sério".

Skripal e a filha foram achados envenenados por um agente neurotóxico criado na antiga União Soviética no dia 4 e estão em estado grave.

Nesta quarta-feira (14),  May disse que o “uso ilegal de força do Estado russo contra o Reino Unido" será respondido com a expulsão de 23 diplomatas russos acusados de espionagem e o congelamento de contatos diplomáticos de alto nível entre os países.

O governo de Vladimir Putin respondeu nesta quinta (15) afirmando ser vítima de “histeria russofóbica” do Reino Unido. Moscou disse que vai expulsar diplomatas britânicos do país em retaliação à medida anunciadao por Londres. “Definitivamente. Será logo”, comentou à agência Sputnik o chanceler Serguei Lavrov.  Putin, que busca uma reeleição garantida no domingo (18), segue sem falar sobre o episódio. Seu porta-voz, Dmitri Peskov, afirmou que as ações britânicas são provocativas. 

ENTENDA O CASO

Skripal vivia no Reino Unido desde 2010, quando foi solto após passar seis anos na cadeia por traição. Ele era coronel do serviço secreto militar russo e, durante nove anos, foi agente duplo a serviço dos britânicos, fornecendo o nome de espiões do Kremlin na Europa. Perdoado judicialmente, fez parte de uma troca de espiões entre Rússia e Estados Unidos chamada Programa Ilegal. No mesmo ano, emigrou para o Reino Unido.

Iulia, sua filha, estava visitando o pai quando o ataque ocorreu, ainda em circunstâncias não esclarecidas. O agente neurotóxico usado, chamado Novitchok (novato, em russo), é dispensado na forma de pó inalável ou absorvível pela pele, e mata por contrações involuntárias de músculos como o coração e o diafragma, sendo extremamente letal.

O caso chamou atenção imediatamente pela similaridade de circunstâncias com a morte de outro ex-espião russo envenenado no Reino Unido, Alexander Litvinenko, em 2006. Só que naquele episódio o agente, que morreu ao ser exposto ao isótopo radioativo polônio-210, trabalhava ativamente contra Moscou —que nega participação no assassinato. Skripal, por sua vez, teoricamente não tinha mais nenhuma relevância no jogo geopolítico.

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