EUA querem falar de combate à corrupção em encontro na América Latina

Cúpula de Lima, em abril, também deve discutir segurança e crise venezuelana

Estelita Hass Carazzai
Washington

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Os Estados Unidos pretendem fazer do combate à corrupção um tema prioritário no encontro do presidente Donald Trump com líderes da América Latina, na próxima Cúpula das Américas, em abril. 

O país anfitrião do evento, o Peru, acaba de ver seu presidente eleito, Pedro Pablo Kuczynski, renunciar ao cargo, sob suspeita de ter recebido propina da construtora brasileira Odebrecht —num desdobramento da Operação Lava Jato, que já rendeu acusações contra políticos e agentes públicos de pelo menos dez países da América Latina.

De acordo com o Departamento de Estado americano, porém, a renúncia de PPK, como é conhecido o ex-mandatário, não comprometeu os preparativos para o evento. A Cúpula das Américas foi criada pela Organização dos Estados Americanos (OEA) e ocorre periodicamente para debater as relações entre os países membros.

O governo dos EUA também reafirmou que Trump irá ao encontro —em sua primeira visita à América Latina desde que tomou posse, em janeiro de 2017.

O presidente americano, Donald Trump, que fará sua primeira visita à América do Sul por ocasião da Cúpula das Américas, em Lima, em abril
O presidente americano, Donald Trump, que fará sua primeira visita à América do Sul por ocasião da Cúpula das Américas, em Lima, em abril - Manuel Balce Ceneta/Associated Press

Segundo o Departamento de Estado, combater a corrupção é fundamental para promover a democracia na região e restaurar a confiança do público nas instituições, num entendimento que é compartilhado por outros países americanos.

A situação do Peru, de acordo com um membro da delegação norte-americana que irá ao encontro, apenas reforça a necessidade de se falar sobre o tema e de trabalhar em conjunto por governos mais transparentes e efetivos no combate a desvios.

Os EUA também pretendem fomentar a discussão entre empresários que comparecerem ao evento, estimulando que assumam posição no tema e ajudem a combater a “cultura de corrupção” vigente em alguns países.

O Departamento de Justiça americano foi um dos principais envolvidos na elaboração dos acordos de colaboração da Odebrecht e da Braskem, que admitiram pagar propina a agentes públicos de 12 países.

VENEZUELA E SEGURANÇA

A crise na Venezuela e a segurança, em especial por meio do combate a organizações criminosas transnacionais, serão outras prioridades do governo Trump na Cúpula das Américas. 

Para o Departamento de Estado, a situação da Venezuela é o item mais premente da cúpula, e exige que os países assumam responsabilidades conjuntas para dar apoio ao povo venezuelano e defender a realização de eleições livres no país, em maio. 

Os EUA devem pressionar pela libertação de presos políticos pelo regime de Nicolás Maduro e pela participação da maior parte da população no processo eleitoral.

A questão da segurança, porém, foi apontada como a prioridade número um do país no encontro. Desde que assumiu, Trump endureceu as políticas imigratórias dos EUA e prometeu ampliar o muro na fronteira com o México, além de criar tarifas de importação e renegociar acordos comerciais com a região.

Isso fez com que a aprovação de Trump entre latinos tenha atingido um recorde mínimo de 16%, segundo pesquisa Gallup realizada no início do ano.

O Departamento de Estado entende que a cúpula será uma oportunidade para que o presidente fique “frente a frente” com os líderes da região e reforce a parceria dos EUA com a América Latina, em especial na promoção da democracia e no combate ao tráfico e ao crime transnacional. 

O governo dos EUA ainda não confirmou se Trump terá um encontro com o presidente brasileiro, Michel Temer, ou com outros mandatários. 

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