São Paulo e Seul | Reuters e Associated Press

O ditador da Coreia do Norte, Kim Jong-un, está disposto a iniciar um diálogo com os EUA sobre o fim de seu programa nuclear e aceita suspender os testes de mísseis durante essas negociações. 

A informação foi divulgada nesta terça (6) por Chung Eui-yong, chefe da delegação sul-coreana recebida por Kim na véspera em Pyongyang.

Segundo ele, o regime norte-coreano afirmou que não vê necessidade de manter seu programa nuclear caso receba garantias internacionais de que o país não sofrerá um ataque militar e que o atual governo será respeitado.

Chung disse ainda que Kim aceitou se reunir com o presidente sul-coreano, Moon Jae-in —seria o primeiro encontro entre líderes dos dois países em 11 anos.

A reunião deverá acontecer no fim de abril na fronteira entre as Coreias. Os dois lados também aceitaram criar uma linha direta para Moon e Kim conversarem.

Chung confirmou também que viajará nos próximos dias aos EUA para se encontrar com Donald Trump e debater a situação. Depois, ele irá para Rússia e China, países mais próximos da Coreia do Norte.

APROXIMAÇÃO

Se declaração for confirmada por Pyongyang, seria a primeira vez desde a posse de Kim, em 2011, que ele sinaliza com a chance de abrir mão do programa nuclear. Até agora, é o mais importante passo da recente reaproximação entre as Coreias

Após realizar uma série de testes de mísseis e de armas nucleares ao longo de 2017, Pyongyang decidiu mudar o tom diplomático neste ano.

Em seu discurso de Ano-Novo, Kim deixou de lado as acusações contra Trump e elogiou o vizinho do Sul, manifestando sua intenção de que atletas norte-coreanos participassem da Olimpíada de Inverno no país vizinho. 

Seul respondeu imediatamente elogiando a declaração e, em 9 de janeiro, representantes dos dois países tiveram seu primeiro encontro formal em mais de dois anos. Para ajudar na reaproximação, Seul e Washington aceitaram adiar um exercício militar que fariam na região. 

O exercício foi remarcado para abril, e o governo sul-coreano já disse que que não pretende adiá-lo novamente —Kim não teria se oposto a sua realização desta vez.

O processo culminou com as duas Coreias desfilando juntas na cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos, em 9 de fevereiro, sob os olhares de Moon, o presidente sul-coreano, e de Kim Yo-jong, irmã do ditador norte-coreano, sentados lado a lado na tribuna do estádio.

Na ocasião, ela chegou a marcar um encontro com o vice-presidente dos EUA Mike Pence, que também acompanhava a Olimpíada, mas desistiu na última hora.

Apesar disso, Washington já tinha dito que estava aberto ao diálogo com a Coreia do Norte, desde que o país aceitasse suspender seu programa nuclear, algo que Pyongyang tinha se negado a aceitar até as declarações de terça.

O presidente dos EUA, Donald Trump, não disse se ele teria qualquer pré-requisito para as negociações, embora tenha considerado o anúncio um avanço na crise.

"Nós percorremos um longo caminho, ao menos retoricamente, com a Coreia do Norte. As declarações foram muito positivas. Seria uma coisa muito boa para o mundo."

Apesar da saudação ao diálogo, o Departamento de Estado americano aprovou nesta terça novas sanções contra Pyonygang, desta vez devido ao uso de armas químicas.

A acusação se refere ao assassinato do irmão mais velho de Kim Jong-un, Kim Jong-nam, morto na Malásia em fevereiro de 2017 ao ser atacado com o que o governo local considera ser gás VX.

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