Bilionário francês Vincent Bolloré é detido sob acusação de corrupção

Ex-presidente do grupo de mídia Vivendi teria influenciado campanhas em troca de contratos públicos

Diogo Bercito
Madri

O bilionário francês Vincent Bolloré, ex-presidente do conglomerado Vivendi, foi detido e interrogado pela polícia em Paris na terça-feira (24) pela denúncia de ter atuado para influenciar duas campanhas eleitorais na África em troca de contratos públicos em portos.

A notícia foi recebida na França como um sinal de que as autoridades estão apertando o cerco contra os milionários, frequentemente vistos como imunes a esse tipo de investigação.

No campo político, o governo também está investigando o ex-presidente Nicolas Sarkozy, acusado de receber doações do ex-ditador líbio Muammar Gaddafi (1942-2011).

Bolloré e Sarkozy são amigos próximos, segundo a imprensa local.

O bilionário francês Vincent Bolloré, detido e interrogado pela polícia nesta quarta-feira sob acusação de ter atuado para influenciar campanhas eleitorais na África em troca de contratos públicos
O bilionário francês Vincent Bolloré, detido e interrogado pela polícia nesta quarta-feira sob acusação de ter atuado para influenciar campanhas eleitorais na África em troca de contratos públicos - Jacques Brinon - 8.out.2014/Associated Press

Enquanto o empresário era interrogado, as ações de seu Grupo Bolloré chegaram a cair 8%. Esse grupo controla 20,5% da Vivendi, um império de mídia que hoje reúne subsidiárias como a Telecom Italia, a Universal Music e o Canal +.

O patrimônio de Bolloré —substituído por seu filho na semana passada como presidente da Vivendi— foi estimado em US$ 7,3 bilhões (o equivalente a R$ 25 bilhões) pela revista Forbes.

As autoridades creem que Bolloré foi cúmplice de corrupção na Guiné e em Togo entre 2009 e 2010, o que ele nega. Segundo a acusação, sua agência de comunicação Havas assessorou os presidentes Alpha Condé, de Guiné, e Faure Gnassingbé, de Togo, com desconto.

A contrapartida foram contratos nas capitais Conacri e Lomé.

À agência de notícias Reuters, um porta-voz do governo de Guiné negou irregularidades e disse que a concessão foi dada “cumprindo estritamente a lei”. Já o governo de Togo preferiu não se pronunciar.

O caso ecoa o recente escândalo sobre o envolvimento da firma britânica Cambridge Analytica no plebiscito de junho de 2016 pela saída do Reino Unido da União Europeia, conhecida como “brexit”.

A Cambridge Analytica é acusada de uso indevido de informações de milhões de pessoas para influenciar o resultado da consulta pública.

O Grupo Bolloré tem 16 concessões em portos na região ocidental da África —onde estão Guiné e Togo, uma região de influência francesa— e hoje emprega 25 mil pessoas.

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