Brasil e outros cinco países suspendem participação na Unasul, diz agência

Argentina, Chile, Colômbia, Peru e Paraguai também saem de bloco por considerá-lo sem rumo

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro (centro), lidera reunião com delegação da Unasul, em Caracas - Palácio de Miraflores - 6.mar.2015/Divulgação
Brasília

Metade dos países que fazem parte da Unasul, bloco sul-americano criado há uma década para conter a influência americana na região, decidiram suspender sua participação. 

As chancelarias dos governos de Brasil, Argentina, Chile, Colômbia, Peru e Paraguai assinaram uma carta em que fazem referência a divergências internas e ao papel da presidência temporária do bloco, assumida pela Bolívia em 17 de abril, no lugar da Argentina. 

“Dadas as circunstâncias atuais, os países assinantes decidimos não participar nas distintas instâncias da Unasul a partir desta data e até que não contemos, no curso das próximas semanas, com resultados concretos que garantam o funcionamento adequado da organização”, disse o documento, segundo o jornal boliviano La Razon. 

O texto acrescenta que os seus países “expressam seu extremo desacordo com a situação pela qual atravessa a união”, quadro “que se prolonga há vários anos e que se agravou a partir de janeiro de 2017 com a acefalia da secretaria-geral”, segundo a agência de notícias argentina Télam.

Em janeiro, terminou o mandato do ex-presidente colombiano Ernesto Samper como secretário-geral. O texto fala que, por falta de consenso em torno de um único candidato, o cargo está vago desde então.

A carta teria sido enviada ao chanceler boliviano, Fernando Huanacuni.

Questionado, Huanacuni disse não ter informação oficial e que estava prevista a convocação de uma reunião de chanceleres da Unasul em maio. 

“Não temos nenhuma informação oficial. Os mecanismos e procedimentos internos requerem formalidades”, afirmou. 

Huanacuni acrescentou que deve existir uma capacidade para superar as diferenças ideológicas e políticas com diálogo e que a Unasul está composta de “países geograficamente unidos”. 

O bloco esteve paralisado por divisões internas desde que governos de centro-direita assumiram o poder em vários dos países da região nos últimos anos. 

Com sede em Quito, no Equador, a Unasul foi criada em 2008, quando o populismo de esquerda representado pelo presidente da Venezuela, Hugo Chávez, morto em 2013, estava em seu ápice. 
Chávez e demais líderes sul-americanos se opunham à proposta americana de criar uma área de livre comércio nas Américas e estabeleceram uma união econômica e política que fizesse contrapeso aos EUA.

A iniciativa também foi uma tentativa de passar por cima da OEA (Organização dos Estados Americanos), vista pelos líderes esquerdistas como uma ferramenta para a promoção de políticas americanas na América Latina. 

Os membros remanescentes no bloco são Venezuela, Bolívia, Equador, Uruguai, Guiana e Suriname. 

“A Unasul funciona por consenso, mas as diferenças entre as visões políticas e econômicas de seus membros são tamanhas que ela não pode mais funcionar”, disse à Reuters um diplomata peruano, sob anonimato.

Reuters

Comentários

Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.