Descrição de chapéu Venezuela Nicolás Maduro

Crise humanitária na Venezuela ficará de fora de declaração final de cúpula

Não há consenso sobre o tema entre participantes de encontro de líderes no Peru

SYLVIA COLOMBO PATRÍCIA CAMPOS MELLO
Lima

Apesar das manifestações ruidosas do lado de fora da Cúpula das Américas —com atos de oposicionistas falando até em pegar em armas contra a ditadura de Nicolás Maduro e uma grande marcha preparada por venezuelanos no Peru—, o tema da crise humanitária no país caribenho não deve estar na declaração final do encontro de líderes.

A expectativa de que exista alguma menção mais enfática contra o regime madurista no texto de encerramento do evento está praticamente descartada, devido à não unanimidade dos países participantes sobre o tema.

Manifestação diante da Embaixada da Venezuela em Lima pede respeito aos direitos humanos no país caribenho, na véspera da abertura da Cúpula das Américas
Manifestação diante da Embaixada da Venezuela em Lima pede respeito aos direitos humanos no país caribenho, na véspera da abertura da Cúpula das Américas - Luka Gonzales/AFP

Nas duas últimas cúpulas, não houve declaração final, porque esse tema sempre foi objeto de controvérsia.

Desta vez, optou-se por haver apenas um compromisso final sobre o combate contra a corrupção, assunto em que é mais fácil atingir-se um consenso, apesar de estar embutida aí uma ironia. O Peru acaba de trocar de presidente devido à renúncia de Pedro Pablo Kuczynski por causa de um caso de corrupção. Além disso, vários dos países convidados estão envolvidos no escândalo da Odebrecht.

Fontes diplomáticas afirmam, porém, que a Venezuela será o assunto central da conversa reservada entre os presidentes e estará presente em algumas das declarações no painel de sábado. Líderes como o vice-presidente Mike Pence, dos EUA, e Mauricio Macri, da Argentina, vêm subindo o tom em relação à necessidade de fazer mais pressão sobre o país caribenho.

Há, ainda, um movimento do Brasil de tentar voltar às vias de diálogo por meio da OEA (Organização dos Estados Americanos), e não apenas via Grupo de Lima ou outros prováveis fóruns paralelos, o que pode configurar um retrocesso, uma vez que aquele fórum não conseguiu avançar em pressões contra Maduro nos últimos anos, porque sempre enfrenta oposição dos países da Alba (aliança bolivariana) e de aliados caribenhos do regime chavista.

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