Delegação da ONU visita Bangladesh por crise dos rohingyas

Conselho de Segurança da ONU esteve na fronteira entre Bangladesh e Mianmar

Membros da Cruz Vermelha ajudam uma mulher que fugiu da região de Maungdaw ao chegar ao cais do barco, em Sittwe, estado de Rakhine, no oeste de Mianmar - 29.ago.2017/Associated Press
Kutupalong

Uma delegação do Conselho de Segurança da ONU visitou neste domingo (29) os refugiados rohingyas na fronteira entre Bangladesh e Mianmar.

Mianmar sofre uma intensa pressão internacional desde agosto de 2017, após uma campanha militar em que a ONU classificou de limpeza étnica, algo que as autoridades birmanesas desmentem, no estado de Rakhine, oeste do país.

A campanha provocou a fuga para a vizinha Bangladesh de quase 700 mil rohingyas, uma minoria muçulmana apátrida em um país de maioria budista.

A delegação da ONU deve se reunir com rohingyas nos campos de refugiados em Bangladesh e com a primeira-ministra do país, Sheikh Hasina.

Depois, os representantes da ONU devem viajar a Mianmar para uma reunião com a dirigente civil Aung San Suu Kyi. A delegação deve ser autorizada a sobrevoar o estado de Rakhine, uma área que tem o acesso extremamente limitado pelas autoridades birmanesas.

Montagem mostra a região em dezembro (esq.), com as casas, e em fevereiro, já com tudo destruído - DigitalGlobe - 20.dez.2017 e 13.fev.2018/Associated Press

Em Bangladesh, o comissário para os refugiados, Mohamad Abul Kalam, declarou à AFP que a delegação da ONU, composta por 26 diplomatas de 15 países, viajou primeiro ao campo de Konarpara, onde vivem 6.000 rohingyas.

O administrador do campo, Dil Mohamad, informou que a delegação se reuniu com mulheres vítimas de violência em Rakhine e com idosos.

"Contamos que permanecemos aqui para salvar nossas vidas", disse à AFP. 

"Temos muita vontade de retornar a nossa casa, desde que a ONU garanta a nossa segurança", completou.

A delegação também pretende visitar o campo de Kutupalong, onde centenas de rohingyas protestaram com cartazes que exigiam a restauração de seus direitos em Mianmar. Foram dispersados sem confrontos pela polícia.

AFP
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