Descrição de chapéu estados unidos Donald Trump

Em rede social, Trump diz 'missão cumprida' e agradece a aliados por ataque

Ação na Síria com Reino Unido e França foi em represália ao regime do ditador Bashar al-Assad

Estelita Hass Carazzai
Washington

"Missão cumprida!". Foi assim, com ponto de exclamação, que o presidente Donald Trump qualificou a ofensiva americana contra a Síria na noite de sexta-feira, quando 150 mísseis foram disparados em resposta a um ataque químico que a Casa Branca atribui ao governo do ditador Bashar al-Assad.

Segundo o Pentágono, o ataque atingiu o "coração" do programa de armas químicas do regime de Assad, e deve representar um forte golpe ao uso desses materiais pelo governo sírio no futuro.

Os americanos declararam que o uso de armas químicas é "inaceitável", mas que não descartam a possibilidade de isso voltar a acontecer —já que outras instalações militares foram poupadas.

"Eu não estou dizendo que eles não farão outros ataques químicos. Mas suspeito que vão pensar duas vezes depois do que aconteceu na noite passada", afirmou o general Kenneth McKenzie.

Segundo o Pentágono, os EUA não têm a intenção de mudar sua estratégia na Síria, nem de se envolver na guerra civil que já matou 400 mil pessoas no país. O objetivo na região, de acordo com White, continua sendo derrotar o Estado Islâmico.

Mas o Pentágono considera que os próximos passos da estratégia militar vão depender de Assad e da Rússia, um de seus principais aliados, e não descartou a possibilidade de contra-ataques.

"O que acontece a seguir tem tudo a ver com o que o regime de Assad decidir fazer, e com o que o governo russo decidir permitir", afirmou a porta-voz do Pentágono, Dana White, neste sábado (14).

É um tensionamento inédito no relacionamento entre os EUA e a Rússia, que vem sendo fiadora do regime de Assad e que reagiu dizendo que "haverá consequências".

"Toda a responsabilidade recai sobre Washington, Londres e Paris", declarou o embaixador da Rússia nos Estados Unidos, Anatoly Antonov, em referência aos países que conduziram o ataque.

Para o presidente Vladimir Putin, o ataque foi um "ato de agressão" dos EUA e seus aliados contra um governo que luta contra o terrorismo. Ele afirmou que a ofensiva aérea irá agravar a "catástrofe humanitária" no país. 

Assad, por sua vez, afirmou em redes sociais que "almas honradas não podem ser humilhadas". Ele nega o uso de armas químicas.

O governo americano voltou a defender a ação neste sábado, e a qualificou como "justificada, legítima e proporcional". O secretário-geral da Otan expressou apoio à ofensiva.

O suposto ataque químico na região de Damasco, na semana passada, teria deixado ao menos 40 mortos, incluindo crianças, o que foi considerado "perverso e vil" por Trump. 

ARMAS QUÍMICAS

Durante a entrevista deste sábado, repórteres perguntaram diversas vezes quais eram as provas de que existem armas químicas em posse do governo da Síria, e lembraram que uma inspeção da Organização para Proibição de Armas Químicas iria visitar o país em breve. "Por que vocês não aguardaram a conclusão desse relatório?", perguntou um jornalista.

White afirmou que não poderia compartilhar as provas por questões de inteligência, mas que os EUA estão confiantes sobre as evidências colhidas até aqui, e por isso decidiram realizar o ataque.

De acordo com o Pentágono, 105 mísseis foram disparados contra três ativos militares do regime de Assad, locais em que haveria armazenamento e desenvolvimento de armas químicas. 

Não há relatos de mortes de civis até aqui, de acordo com o Pentágono. Também não houve baixas militares do lado americano, que atacou em parceria com forças da França e do Reino Unido.

McKenzie destacou, porém, que cerca de 40 mísseis foram disparados pelos sírios logo após o ataque dos americanos, e que "provavelmente" muitos deles não tinham trajetória definida. 

"Isso tem que cair em algum lugar; é um risco para o próprio povo sírio", afirmou.

O risco de as armas químicas se dispersarem em função do ataque, segundo o Pentágono, foi calculado e minimizado durante a preparação do evento. "Vocês serão capazes de julgar os efeitos nas próximas horas", segundo o general.

Uma eventual retaliação militar contra os EUA também não foi descartada por McKenzie. "Nós estamos preparados para isso. Estamos posicionados na região e globalmente. Estamos prontos para qualquer coisa", disse. 

A porta-voz do Pentágono fez um convite ao governo de Vladimir Putin, para que honre seu compromisso e ajude a garantir que o governo de Assad desative o programa de armas químicas. White afirmou que os EUA são favoráveis a uma solução política e negociada na região, mas que as vias diplomáticas não foram bem-sucedidas até aqui.


MISSÃO CUMPRIDA DE BUSH NO IRAQUE

Em maio de 2003, o então presidente americano George W. Bush fez o que ficou conhecido como o Discurso Missão Cumprida.

 
Em um porta-aviões, o presidente anunciou, em discurso televisionado, o "fim dos conflitos maiores" no Iraque, embora tenha dito que "a guerra contra o terrorismo" não havia terminado.
 
O discurso era sobre o fim da operação militar chamada "operação liberdade iraquiana". Uma grande faixa estendida trazia as palavras "missão cumprida", embora elas não tenham sido pronunciadas por Bush.

Em março de 2008, quando do anúncio de que 4000 soldados americanos haviam morrido em conflitos no Iraque, a mídia do país lembrou o fato de que 97% das mortes ocorreram após o Discurso Missão Cumprida.

O então presidente americano George W. Bush declara o fim dos combates no Iraque em fala em porta-aviões USS Abraham Lincoln em maio de 2003
O então presidente americano George W. Bush declara o fim dos combates no Iraque em fala em porta-aviões USS Abraham Lincoln em maio de 2003 - J. Scott Applewhite - 2.mai.2003/Associated Press
 
 
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