Zuckerberg pedirá desculpas a Congresso dos EUA e assumirá erros do Facebook

Criticado, fundador dirá que empresa não fez o suficiente para proteger dados de usuários

Mark Zuckerberg (centro) chega para reunião com o senador Bill Nelson no Capitólio, em Washington, nesta segunda (9)
Mark Zuckerberg (centro) chega para reunião com o senador Bill Nelson no Capitólio, em Washington, nesta segunda (9) - Alex Wong/Getty Images/AFP
Estelita Hass Carazzai
Washington

O fundador e presidente do Facebook, Mark Zuckerberg, pedirá desculpas por ter falhado em proteger os dados dos usuários e por ter permitido a difusão de notícias falsas e manipulação, em depoimento ao Congresso dos EUA, nesta semana. 

“Está claro agora que não fizemos o suficiente para evitar que essas ferramentas fossem usadas para causar danos”, afirmará. “Não tivemos uma visão ampla sobre nossas responsabilidades, e esse foi um grande erro. Foi meu erro, e eu peço desculpas.”

O depoimento escrito de Zuckerberg foi divulgado nesta segunda (9), pela Comissão de Energia e Comércio da Câmara, onde acontecerá um dos depoimentos, na quarta (11). Após o testemunho inicial do executivo, os deputados farão perguntas sobre o tema.

Zuckerberg participará de duas audiências no Congresso americano nesta semana, a partir de terça (10), em meio a um cerco da opinião pública sobre a proteção de dados pessoais no Facebook e seu uso para fins escusos, como a manipulação eleitoral e a difusão do discurso de ódio. 

O executivo afirmará, segundo o texto divulgado nesta segunda, que quer promover “conexões positivas” entre as pessoas, e não a desinformação.

Além disso, reconhecerá que a empresa foi “muito lenta” ao identificar a ação de agentes russos nas eleições americanas de 2016, e dirá que vai contratar milhares de pessoas para atuar na segurança da plataforma com vistas às eleições do Brasil, México, Índia e Paquistão, entre outros países. 

“A missão do Facebook é dar voz às pessoas e aproximá-las. Esses são valores profundamente democráticos. Eu não quero que ninguém use nossas ferramentas para minar a democracia”, dirá o executivo. 

Segundo Zuckerberg, a empresa se prepara para aumentar consideravelmente o investimento em segurança, o que deve impactar os resultados financeiros do Facebook. 

“Proteger nossa comunidade é mais importante do que maximizar nossos lucros”, dirá. 

De acordo com ele, a empresa continua removendo centenas de perfis e páginas usados por agentes russos para divulgar notícias falsas — somente na semana passada, foram 270 exclusões, de páginas que atuavam na Ucrânia, Uzbequistão e Azerbaijão. 

Nas eleições da França, em 2017, 30 mil perfis falsos foram excluídos pelo Facebook

CONTROLES

Zuckerberg prometerá ainda aumentar os controles sobre o uso de dados dos usuários do Facebook por terceiros, para evitar o ocorreu no caso da consultoria Cambridge Analytica.

A empresa teve acesso indevido às informações de 87 milhões de pessoas para divulgar propaganda política —a favor do então candidato Donald Trump, por exemplo, ou da saída do Reino Unido da União Europeia. 

Segundo o depoimento, o Facebook está promovendo uma auditoria de todos os aplicativos que tiveram acesso a um grande volume de dados de usuários até 2014, ano em que a empresa incrementou os controles sobre essas informações. 

“Se descobrirmos que algum desses aplicativos está usando dados de forma imprópria, vamos bani-los e alertar a todos que foram afetados”, dirá Zuckerberg.

A empresa também começou a revogar o acesso a dados de aplicativos que não tenham sido usados pelos usuários nos últimos três meses, e limitou o número de informações que podem ser colhidas —apenas foto de perfil, email e nome serão autorizados a partir de agora, segundo dirá seu fundador. 


A SALA DA AUDIÊNCIA Zuckerberg vai depor na Sala 216 do Senado, uma das principais do Congresso​

Sala onde aparecem cadeiras pretas de escritório perfiladas à direita e à esquerda com um corredor com um carpete azul no meio; ao fundo dele, uma mesa para o depoente, que fica de frente a uma mesa com mais de dez cadeiras
NBC Washington

(1) Nos assentos elevados: os presidentes das duas comissões que sediam o depoimento, os senadores republicanos Chuck Grassley e John Thune (mas todos os 45 membros dos colegiados podem fazer perguntas)

(2) Na mesa ao centro: o fundador do Facebook, Mark Zuckerberg

(3) Nas cadeiras atrás dessa mesa: imprensa e público geral

Capacidade da sala: aproximadamente 250 pessoas
 


TESTEMUNHO 

O primeiro depoimento de Zuckerberg será nesta terça, no Senado americano, a partir das 15h15 de Brasília. Ele será ouvido em uma das principais salas de audiência do Congresso, onde cabem até 250 pessoas.

Nela, já prestaram depoimento juízes indicados para a Suprema Corte, investigadores do ataque às Torres Gêmeas e o ex-diretor do FBI James Comey, demitido por Trump no ano passado. 

Pelo menos 45 congressistas (membros das duas comissões que organizam a audiência) irão acompanhar o testemunho, e poderão fazer perguntas a Zuckerberg.

Ele será o único a prestar depoimento nesta terça, mas a expectativa é que a audiência se estenda por pelo menos três horas. O evento será transmitido ao vivo pela internet, e há cadeiras reservadas ao público, mas só os congressistas podem se dirigir a Zuckerberg. 

Na quarta (11), o executivo volta ao Congresso, desta vez na Câmara, onde prestará depoimento a partir das 11h de Brasília, à Comissão de Energia e Comércio. 

Há a expectativa de que outras companhias de tecnologia sejam convocadas nas próximas semanas para falar sobre a privacidade de seus usuários, como o Google e o Twitter. “Não é apenas o Facebook. Há todos esses outros sites que coletam dados pessoais; é outra forma pela qual estamos perdendo nossa privacidade”, afirmou o senador democrata Bill Nelson, que estará na audiência desta terça. 

Zuckerberg vem se preparando há semanas para as audiências, com seguidas entrevistas à imprensa e anúncios de mudanças em controles de privacidade do Facebook. Nesta segunda, ele encontrou alguns dos congressistas que irão interrogá-lo, em reuniões privadas no Congresso.

Foi cercado pela imprensa na saída dos gabinetes, mas não respondeu a perguntas.

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