Informações de até 87 milhões de pessoas vazaram, diz Facebook

Usuários serão avisados se seus dados foram usados pela Cambridge Analytica, diz empresa

Mark Zuckerberg, do Facebook, fala em evento em Lagos, na Nigéria
Mark Zuckerberg, do Facebook, fala em evento em Lagos, na Nigéria - Ali Asaei - 31.ago.2016/New York Times
São Paulo

O Facebook anunciou nesta quarta-feira (4) que acredita que os dados de até 87 milhões de pessoas, em sua maioria nos Estados Unidos, foram compartilhados de forma imprópria com a empresa Cambridge Analytica.

A estimativa anterior era de que cerca de 50 milhões de pessoas teriam tido seus dados vazados para a companhia.

Mike Schroepfer, diretor de tecnologia da empresa, informou se tratarem de mais de 70 milhões de americanos. Os demais são de outros nove países, incluindo o Brasil, onde 443.117 usuários tiveram informações usadas.

A rede social afirma que os usuários afetados pelo vazamento serão avisados a partir de segunda (9) e que colocará um link no alto da página deles pelo qual eles poderão ver quais aplicativos estão usando e que informações foram compartilhadas com esses apps. 

O Facebook está no centro de um escândalo de vazamento de dados de milhões de usuários, por meio da consultoria Cambridge Analytica, que trabalhou para a campanha de Donald Trump e que é suspeita de ter colhido informações pessoais de usuários da rede social de forma irregular. O caso foi revelado pelos jornais New York Times e The Observer (versão dominical do Guardian) e pela rede de televisão Channel 4, do Reino Unido.

A empresa vem perdendo valor de mercado desde então, e tem sido questionada sobre a eficácia do controle sobre os dados dos usuários e as consequências de seu uso por terceiros.

Desde então, tem havido questionamentos em vários países sobre o alcance e o poder do Facebook e de outras plataformas, e a necessidade de regulação dessas atividades.

O Facebook também anunciou mudanças para restringir o acesso de apps a informações de eventos, de grupos fechados e secretos e de páginas, entre outras mudanças.

A empresa afirmou nesta quarta que está alterando seus termos de uso e sua política de dados para deixar mais claras as questões relacionadas à privacidade, sem pedir mais acesso a informações aos usuários. 

Entre os pontos que serão explicados estão como os dados são usados para customizar o que o usuário vê em seu feed; que dados são compartilhados com quem; como dados de outros produtos da empresa, como o WhatsApp, são usados; e que dados o Facebook recolhe dos dispositivos dos usuários.

DEPOIMENTO

O presidente e fundador do Facebook, Mark Zuckerberg, será ouvido em audiência no Congresso dos EUA na próxima quarta-feira (11), sobre o uso e a proteção de dados dos usuários da plataforma.

É a primeira vez que Zuckerberg depõe a legisladores americanos, em meio a um crescente cerco de políticos, governos e da opinião pública contra o Facebook e outras empresas de tecnologia.

A audiência com Zuckerberg foi confirmada nesta quarta (4) pelo Comissão de Energia e Comércio da Câmara. Ela será realizada às 11h de Brasília, na próxima quarta-feira (11).

Em nota, os deputados Greg Walden e Frank Pallone, membros da comissão, afirmaram que o depoimento será “uma importante oportunidade” para debater a privacidade dos dados de usuários da rede social e vai “ajudar os americanos a melhor compreender o que acontece com sua informação pessoal online”.

Os políticos agradeceram a disponibilidade de Zuckerbergque tem sido cobrado, desde o ano passado, para responder pessoalmente aos questionamentos sobre a segurança de dados na plataforma, e o uso de suas ferramentas para fins políticos e comerciais.

Nos últimos dias, o executivo veio a público por meio de notas e entrevistas, em que lamentou e reconheceu o erro do Facebook no caso da Cambridge Analytica

CAMBRIDGE ANALYTICA

O caso envolvendo a Cambridge Analytica começou em 2014, quando o professor Aleksandr  Kogan, da Universidade de Cambridge, no Reino Unido, criou um teste de personalidade no Facebook com o pretexto de conduzir um estudo psicológico de usuários.
 
Cerca de 270 mil pessoas fizeram o teste de Kogan, mas o sistema permitiu que sua equipe visse o perfil de usuários, pois também captava as informações de todos os amigos de quem baixou o app.

No ano seguinte, Kogan repassou esses dados à Cambridge Analytica, que então contratou outros especialistas, entre eles Christopher  Wylie, que acabou revelando o esquema ao The Observer.

De posse de dados como curtidas e redes de amigos, essa firma com sede em Londres conseguiu montar perfis de eleitores em potencial, que então eram bombardeados com mensagens políticas, com o objetivo de influenciar a eleição dos EUA .
 
O Facebook disse inicialmente que descobriu o esquema em 2015 e então removeu o aplicativo de Kogan, exigindo também que a Cambridge Analytica apagasse os dados desviados.
 
Diante das revelações de que as informações não foram apagadas e ajudaram a influenciar as eleições, a rede então bloqueou as contas de todos ligados à consultoria na plataforma.

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