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Londres diz que Rússia espionou Skripal e testou envenenamento em maçaneta 

Informações fazem parte de um relatório sobre o caso feito pelo governo britânico 

São Paulo

O governo britânico decidiu divulgar detalhes nesta sexta-feira (13) do relatório confidencial que investigou o envolvimento da Rússia no envenenamento do ex-espião Serguei Skripal

Segundo as informações reveladas, Moscou já realizou testes para envenenar uma pessoa a partir da maçaneta de uma porta e espiona os emails da filha de Skripal desde 2013. 

Embora os relatórios feitos por Londres sobre o caso continuem secretos, parte das informações contidas neles foram publicadas em uma carta aberta enviada por Mark Sedwill, conselheiro de Segurança Nacional, ao secretário-geral da Otan (a aliança militar do Ocidente), Jens Stoltenberg. 

Militares britânicos usam roupas de proteção durante a investigação do caso
Militares britânicos usam roupas de proteção durante a investigação do caso - Adrian Dennis - 14.mar.2018/AFP

Não é comum o governo britânico divulgar ao público esse tipo de informação de um caso ainda em andamento.

A carta dá detalhes até o momento inéditos sobre a investigação feita por Londres, que concluiu que a Rússia é a culpada pelo ataque feito no dia 4 de março da cidade de Salisbury, na Inglaterra, contra Skripal e sua filha, Iulia

O episódio criou uma crise entre Reino Unido e Rússia, que nega envolvimento. A disputa que culminou com os dois lados expulsando diplomatas do país adversário.  

"Apenas a Rússia tinha o conhecimento técnico, a experiência operacional e a motivação para atacar os Skripals e é muito provável que o Estado russo seja o responsável. Não há outra alternativa plausível", diz Sedwill na carta, na qual tenta explicar como Londres chegou a essa conclusão. 

Para isso, afirma que o goveno britânico descobriu que o email de Iulia foi atacado por hackers ligados ao serviço de inteligência russo em 2013 e que segue como alvo desde então. O documento, porém, não traz nenhum tipo de provas das alegações que faz. 

O britânico também diz que amostras obtidas de pai e filha, assim como do policial Nick Bailey —que acabou contaminado ao ajudar os dois— confirmam que o envenenamento foi feito usando o agente neurotóxico  Novitchok, uma substância desenvolvida pela União Soviética nos anos 1980 e que teria sido aperfeiçoada pelos russos após a queda do comunismo.

"O Estado russo já produziu Novitchok anteriormente e ainda é capaz de fazê-lo. Durante a última década, a Rússia fez e estocou pequenas quantidades de Novitchoks", diz o documento, que afirma ser pouco provável que outras ex-repúblicas soviéticas tenham tido acesso à sustância.   

De acordo com a carta, Moscou manteve um programa sobre armas químicas nos anos 2000 que tinha o envolvimento pessoal de Vladimir Putin. "Este programa depois incluiu testes para descobrir maneiras de usar agentes neurotóxicos, incluindo sua aplicação em maçanetas de portas", diz Sedwill.   

A carta do assessor britânico foi feita um dia após a Organização para a Proibição das Armas Químicas (Opaq) anunciar que sua análise da substância usada no envenenamento confirmou a tese britânica sobre o caso, mas sem citar diretamente a Rússia. 

O embaixador da Rússia no Reino Unido, Alexander Yakovenko, disse ter ficado surpreso com as alegações de que seu país espionava a família Skripal. 

"Se alguém estava espionando, por que serviços britânicos não reclamaram? Eles sempre reclamam quando algo dá errado. Nós não recebemos nenhum sinal, nenhum comunicado do lado britânico de que não estavam felizes com o modo como os Skripals viviam em Salisbury", disse ele. 

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