Descrição de chapéu Governo Trump

Maioria dos americanos defende voto direto para presidente

Hoje, mandatário do país é eleito de forma indireta: ganha quem tem mais votos no Colégio Eleitoral

Estelita Hass Carazzai
Washington

A maioria dos americanos afirma ser a favor de uma mudança na Constituição para que passe a vencer as eleições à Presidência dos Estados Unidos o candidato que tiver mais votos, e não o que ganhar no Colégio Eleitoral, segundo uma pesquisa divulgada nesta quinta-feira (26).

Atualmente, o presidente dos EUA é eleito de forma indireta: ganha quem tiver mais votos no Colégio Eleitoral, formado por delegados, que costumam votar de acordo com a inclinação do estado a que pertencem.

Cada estado tem um número diferente de cadeiras —e alguns pesam mais do que outros.

O presidente dos EUA, Donald Trump, durante comício em Moon Township, na Pensilvânia, em março
O presidente dos EUA, Donald Trump, durante comício em Moon Township, na Pensilvânia, em março - Nicholas Kamm - 11.mar.2018/AFP

O atual mandatário, Donald Trump, por exemplo, teve menos votos populares do que a democrata Hillary Clinton —assim como George W. Bush contra Al Gore, em 2000, e outros três presidentes no século 19. Mas todos acabaram eleitos.

No total, 55% dos americanos defendem que vença o voto popular, de acordo com o Pew Research Center. 

O percentual já foi mais elevado no passado, e atingiu o pico de 62% em 2012. 

Mas, após a vitória de Trump em 2016, entrevistados que se identificaram como republicanos mudaram de opinião.

Antes, 54% deles defendiam a mudança para uma eleição direta. Depois que Trump venceu, esse percentual baixou para 27%.

Agora, a maioria se consolidou, e mais republicanos voltaram a apoiar a mudança. 

O tema é controverso: alguns estudiosos defendem que o atual sistema equilibra a representação eleitoral, fazendo com que regiões menos populosas tenham o mesmo peso de metrópoles, onde se concentram o capital e os meios de comunicação.

Já outros afirmam que, no fim das contas, muitos eleitores sentem que seu voto não vale nada, pois a decisão final cabe aos delegados.

A pesquisa do Pew Research Center entrevistou cerca de 4.600 pessoas, entre janeiro e março deste ano. A margem de erro é de 2,4%, para mais ou para menos.

FATOR TRUMP

O desempenho de Trump à frente da Presidência —e sua relação com as instituições democráticas— também foi avaliado na pesquisa. No total, 54% dos entrevistados dizem que ele tem pouco ou nenhum respeito pela democracia. 

Mas essa opinião varia muito: o percentual de reprovação ao mandatário é de 83% entre democratas, mas apenas 21% entre republicanos.

A maioria dos americanos também demonstra concordar com ideais democráticos, como a liberdade de expressão e a independência do Judiciário —mas acreditam que eles não descrevem os EUA atualmente. 

A pesquisa do Pew Research Center também indicou que há pouca confiança no país em políticos eleitos: até a imprensa e empresários ganham deles, de acordo com o levantamento.

Apenas 25% dos entrevistados afirmaram confiar bastante ou o suficiente nos políticos. É o grupo com o menor índice de confiança, muito atrás da mídia (40%), de líderes religiosos (49%), cientistas (79%) e militares (80%). 

A imprensa, por sua vez, viu um declínio arrasador da confiança entre os republicanos —que provavelmente comungam das críticas de Trump às “fake news”, como o presidente costuma apelidar veículos ou notícias críticos a ele.

O percentual de confiança na mídia entre republicanos é de 16% (uma queda de 13 pontos percentuais nos últimos dois anos). Entre democratas, é de 58% (alta de 12 pontos percentuais).

Por outro lado, uma instituição viu sua credibilidade aumentar: a Suprema Corte americana. Atualmente, 66% dos entrevistados dizem ter uma visão favorável do órgão —uma considerável alta desde 2015, quando o índice foi de apenas 48%. 

Na época, a opinião sobre a corte estava contaminada pela aprovação do casamento gay e do Obamacare, que foram fortemente combatidos por republicanos. Passados três anos das decisões, o grupo voltou a expressar uma visão positiva do órgão.

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