Marchas, discursos e premiações marcam dia de Martin Luther King nos EUA

Há 50 anos, líder negro pró-direitos civis era assassinado em Memphis

Manifestantes seguram cartazes semelhantes aos carregados por garis em greve em 1968, em marcha de comemoração pelo aniversário da morte de Martin Luther King, em Memphis (Tennessee) - Mark Humphrey/Associated Press
São Paulo e Memphis (Tennessee) | Associated Press

Cinquenta anos após o assassinato do reverendo Martin Luther King Jr, familiares e admiradores do líder dos direitos civis marcaram o aniversário de sua morte com marchas, discursos e premiações nesta quarta-feira (4). 

As comemorações se estenderam de sua cidade natal, Atlanta, a Memphis, onde ele foi morto, e outras localidades. 

Centenas de pessoas se reuniram cedo em Memphis para uma marcha liderada pelo mesmo sindicato de garis, a maioria negros, cujos baixos salários eram alvo de protesto de King quando ele foi morto.

Outros se reuniram em Atlanta, onde a filha de King, Bernice A. King, lideraria cerimônia de premiação em seu nome. 

Neste ano, receberão o Martin Luther King JrNonviolent Peace Prize os advogados Benjamin Ferencz, por seu trabalho de processar líderes nazistas em Nuremberg (Alemanha), e Bryan Stevenson, pela sua campanha de tornar inconstitucionais penas perpétuas sem condicional para crianças e adolescentes de 17 anos de idade ou menos.

Os eventos em Memphis devem contar com a participação de contemporâneos de King, como o reverendo Jesse Jackson, o reverendo Al Sharpton e o congressista John Lewis, além de celebridades como o rapper Common

À noite, os eventos em Atlanta culminarão com o tocar de sinos e a colocação de flores em seu túmulo, coincidindo com o momento em que foi assassinado no balcão do Motel Lorraine, em 4 de abril de 1968. Ele tinha 39 anos. 

Em foto de 29 de março de 1968, garis em greve são observados por tropas da Guarda Nacional de Tennessee enquanto marcham em Memphis - Charlie Kelly - 29.mar.1968/Associated Press

Na noite de terça (3), a Casa Branca divulgou nota do presidente Donald Trump sobre as comemorações. 

"Como povo unido, precisamos ver a missão de vida de King e denunciar o racismo, a desumanidade e tudo o que nos divide. Não é o governo que irá alcançar os ideais de King, mas as pessoas deste grande país que cuidarão para nossa nação represente tudo o que é bom e verdadeiro, que incorpore unidade, paz e justiça. Precisamos ativamente aspirar a garantir o sonho de vivermos juntos como um povo com um objetivo comum", afirmou trecho da nota. 

Ainda na noite de terça, houve uma celebração do discurso de King "I've been to the mountaintop" (estive no topo da montanha) na igreja Mason Temple Church of God in Christ, em Memphis. King pronunciou este discurso na véspera de seu assassinato. 

Na igreja, Bernice King chamou seu irmão mais velho, Martin Luther King 3º, para juntar-se a ela no púlpito, e ela falou sobre a dificuldade de fazer em público o luto pelo seu pai  —um homem odiado durante sua vida, mas hoje admirado ao redor do mundo. 

"É importante ver duas crianças que perderam seu pai há 50 anos pela bala de um assassino", afirmou Bernice King, hoje aos 55 anos. "Mas fomos adiante. Mantenham todos nós em oração enquanto continuamos com o processo de luto por um pai que tivemos de enterrar."

Manifestante com foto de Martin Luther King durante marcha em Memphis, Tennessee, nos 50 anos de sua morte - Joe Raedle/Getty Images/AFP

O aniversário coincide com o ressurgimento do movimento de supremacia branca, os contínuos disparos contra homens negros desarmados e uma série de estatísticas que mostram a falta de progresso entre americanos negros em temas que vão de habitação a educação e riqueza.

Mas em vez de desespero, a mensagem repetida na igreja foi de resiliência, determinação e de um compromisso renovado para manter o legado e o trabalho inacabado de King. 

Lee Saunders, líder nacional trabalhista, recontou como naquela noite de 1968 King fez uma aparição não planejada para fazer seu famoso discurso, sem anotações, depois que seus assessores lhe disseram o quão ardente a multidão estava. "Havia apenas um homem ao qual queriam ouvir."

Mas Saunders alertou que o objetivo das comemorações desta semana não eram apenas olhar para o passado.

"O trabalho de King, nosso trabalho, não está completo. Ainda precisamos lutar; ainda precisamos nos sacrificar. Ainda precisamos educar, organizar e mobilizar. Por isso estamos aqui em Memphis. Não apenas para honrar nossa história, mas para conquistar nosso futuro", afirmou. 

O ex-presidente Barack Obama, o primeiro presidente negro dos EUA, falou por meio de um vídeo, dizendo que "enquanto estivermos tentando, a alma de King estará rejubilada". 

Alguns dos garis que participaram com King da greve de 1968 se sentaram nos bancos da frente e foram tratados como celebridades.

Na terça, líderes de movimentos pelos direitos civis anunciaram que vão retomar a campanha de justiça econômica planejada por King. Os organizadores da nova Campanha dos Povos Pobres estão planejando 40 dias de marchas, manifestações e protestos pacíficos. 

A partir de 14 de maio, clérigos, membros de sindicatos e outros ativistas participarão de eventos em cerca de 30 estados americanos, tendo como alvo o Congresso e as casas legislativas estaduais. 

Em 23 de junho, organizadores planejaram uma grande marcha em Washington, similar à que King havia planejado. 

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