OMS diz que 500 sírios tiveram sintomas de exposição a gás tóxico

Trump e aliados cogitam ação militar contra Assad após suposto ataque com arma química

Criança é tratada em hospital em Duma após suposto ataque com arma química no sábado (7)
Criança é tratada em hospital em Duma após suposto ataque com arma química no sábado (7) - Capacetes Brancos - 7.abr.2018/Divulgação/Reuters
Genebra

A OMS (Organização Mundial da Saúde) disse nesta quarta-feira (11) que cerca de 500 pessoas foram tratadas por "sinais e sintomas condizentes com a exposição a produtos químicos tóxicos" depois de um suposto ataque com gás tóxico em um bastião rebelde da Síria.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e aliados ocidentais estão cogitando uma ação militar para punir o presidente sírio, Bashar al-Assad, pelo suposto ataque com arma química no sábado (7) na cidade de Duma, que vinha resistindo a um cerco do governo.

A Rússia e o governo sírio dizem que os relatos de um ataque com gás são falsos.

A OMS repudiou o incidente e disse que mais de 500 moradores de Duma foram tratados por sintomas de envenenamento por gás.

"Havia sinais em particular de irritação grave das membranas mucosas, dificuldades respiratórias e perturbação do sistema nervoso central daqueles expostos", disse a agência de saúde da ONU em comunicado.

O comunicado alertou que a OMS não tem nenhum papel formal nas investigações forenses sobre o uso de armas químicas. Inspetores internacionais de armas químicas estão buscando garantias do governo sírio para poderem ir a Duma, para determinar se munições proibidas em todo o mundo foram usadas.

A OMS também disse haver relatos de que mais de 70 pessoas que se abrigavam de bombardeios em porões no antigo bolsão rebelde de Ghouta Oriental, onde Duma se localiza, morreram.

Segundo a entidade, 43 destas mortes foram "relacionadas a sintomas condizentes com a exposição a produtos químicos altamente tóxicos", citando relatos de seus parceiros de saúde locais.

"Todos nós deveríamos estar revoltados com estes relatos e imagens horríveis de Duma", disse Peter Salama, vice-diretor-geral de prontidão e reação a emergências da OMS.

"A OMS exige acesso imediato e desimpedido à área para levar ajuda aos afetados, para acessar os impactos de saúde e para proporcionar uma assistência de saúde pública abrangente", afirmou.

As agências de assistência da ONU não têm acesso à maior parte de Ghouta Oriental, de onde os insurgentes estão se retirando em respeito a um acordo com o governo sírio que restaurou o controle estatal sobre a região.

A OMS disse ter treinado mais de 800 agentes de saúde sírios para reconhecer sintomas e tratar pacientes expostos a armas químicas e ter distribuído antídotos contra agentes nervosos.

Reuters
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