Premiê indiano diz que estupros são vergonha para o país

Em visita a Londres, Narendra Modi afirma que estupradores são 'pecadores'

Manifestantes protestam contra a visita do premiê indiano, Narendra Modi, em Londres - Toby Melville/Reuters
Londres | Reuters

Confrontado por crescentes protestos contra a impunidade em casos de estupros no país, o premiê da Índia, Narendra  Modi, disse nesta quarta-feira (18) durante visita em Londres que a violência sexual é uma grande preocupação e uma vergonha para os indianos. 

"Estupro é estupro. Como podemos aceitar isso?", disse Modi em evento com a diáspora indiana. "Esse é um assunto de grande preocupação para o país e esses pecadores são filhos de alguém. O estupro de uma filha é uma questão de preocupação, de vergonha para o país."

Modi foi recebido por protestos também na capital londrina, onde manifestantes levavam cartazes com dizeres como "Modi, vá para casa" e "somos contra a agenda Modi de ódio e ambição", diante do Parlamento e da sede de governo, onde o premiê se encontrou com a primeira-ministra Theresa May.

A rainha da Inglaterra, Elizabeth 2ª, recebe o premiê da Índia, Narendra Modi, no palácio de Buckingham
A rainha da Inglaterra, Elizabeth 2ª, recebe o premiê da Índia, Narendra Modi, no palácio de Buckingham - Yui Mok/AFP

"O governo indiano não está fazendo nada, e sentimos pena das famílias por causa da injustiça toda", afirmou Navindra Singh, advogada nascido na Índia mas que vive no Reino Unido. "Ele está no poder há quatro anos agora e não houve nenhuma mudança de política para proteger mulheres e crianças."

Os protestos cresceram na Índia depois da divulgação do estupro e da morte de uma menina muçulmana de oito anos na Caxemira indiana.

Em outro caso, um parlamentar estadual do partido de Modi, Bharatiya Janata Party, foi acusado de estuprar uma adolescente. Nenhuma ação foi tomada contra o parlamentar até que a menina ameaçou se imolar em público no mês passado. 

Quase 40% das vítimas de estupro na Índia são crianças, e os 40 mil casos denunciados em 2016 representam um aumento de 60% em relação a 2012. Mas ativistas dizem que esses números ainda são subestimados.

'EMERGÊNCIA NACIONAL'

Na véspera, o Nobel da Paz Kailash Satyarthi, laureado em 2014 por seu ativismo na proteção dos direitos da infância, afirmou que o aumento dos casos de estupro e abuso de crianças em seu país é uma “emergência nacional”.

“Cada vez que uma menina é estuprada e morta, a alma da Índia é estuprada e morta”, afirmou.

Relatório divulgado no mesmo dia por sua ONG Kailash Satyarthi Children’s Foundation indica que o processo de um caso de abuso sexual de crianças no país pode levar de 53 a 99 anos para ir a julgamento.

Hoje, há cerca de 100 mil pendências.

Dados do governo mostram que 18.862 casos de estupro infantil foram registrados em 2016, ou mais de 50 por dia. Segundo ativistas, centenas de outros casos não são registrados.

Protestos irromperam em várias partes da índia depois que uma série de casos de estupro infantil vieram à tona nos últimos dez dias. 

Na segunda (16), oito homens acusados de envolvimento no estupro e assassinado de uma menina de oito anos em Jammu compareceram a uma audiência pela primeira vez. 

Ativistas acusam as autoridades de não protegerem crianças e mulheres e de não investigarem com rapidez.

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