São Paulo

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que, entre os homólogos americanos com quem conviveu na Presidência, a relação era melhor com o republicano George W. Bush (2001-2009) que com o democrata Barack Obama (2009-2017).

“Na relação com o Brasil o Bush e a Condoleezza [Rice, secretária de Estado americana à época] foram muito mais democráticos que o Obama e a Hillary Clinton [primeira chefe da diplomacia americana do democrata].”

A declaração foi feita em conversa com o ex-presidente do Equador Rafael Correa publicada no site em espanhol do Russia Today, canal vinculado ao Kremlin, na última quinta-feira (29). Ele também afirmou se preocupar com Donald Trump.

“Penso que os EUA mereciam alguém melhor, mas foi o povo quem o escolheu. Trump não tem preocupação nenhuma com a América Latina. Ele foi muito claro no discurso dele: minha maior preocupação são os EUA.”

Obama recebeu Lula na Casa Branca em seu primeiro ano de mandato. Naquele mesmo ano o petista seria chamado de “o cara” pelo americano.

No ano seguinte, porém, a relação azedaria depois de os EUA vetarem um acordo de troca de combustível nuclear com o Irã que era mediado pelo Brasil e pela Turquia. 

Em entrevista à Folha em 2015, o ex-chanceler Celso Amorim disse que o petista se sentiu traído por Obama devido ao recuo no pacto, que o democrata incentivou a ser negociado, e que Bush era mais direto e franco.

“Nós oferecemos situações que ajudariam o Obama, não só em relação ao Irã, mas em relação à Venezuela e ao Equador, e ele não deu atenção. O Bush e os republicanos têm uma visão mais realista, eles compreendem melhor a importância do Brasil.” 

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