Descrição de chapéu Governo Trump Donald Trump

Trump chama ex-diretor do FBI de 'gosmento, fraco e mentiroso'

Em livro, James Comey, demitido em 2017, diz que presidente é antiético

O ex-diretor do FBI, James Comey, durante depoimento ao Senado americano em junho do ano passado
O ex-diretor do FBI, James Comey, durante depoimento ao Senado americano em junho do ano passado - Brendan Smialowski - 8.jun.2017/AFP
Washington | Associated Press

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, atacou nesta sexta-feira (13) o ex-diretor do FBI James Comey, chamando-o de "gosmento, fraco e mentiroso", após Comey ter criticado o republicano em seu livro, que será publicado na semana que vem.

"Tive a grande honra de demitir James Comey!" disse Trump em uma série de tuítes esbravejantes. O presidente também disse que Comey tinha sido um péssimo diretor do FBI.

Trump demitiu Comey em maio do ano passado e vinha criticando o ex-diretor da agência.

No livro "A Higher Loyalty: Truth, Lies and Leadership" (Uma Lealdade Superior: Verdade, Mentiras e Liderança, em tradução literal), Comey descreve um presidente que construiu "um casulo de realidade alternativa em que se esforçava para envolver todos nós". O ex-diretor do FBI diz que o republicano é mentiroso, antiético, despido de emoção e conduzido pelo ego.  

Em entrevista de Comey à rede de televisão ABC exibida nesta sexta-feira (13), ele diz que em seus primeiros encontros com o presidente no ano passado, Trump lhe pareceu volátil, defensivo e mais preocupado com sua imagem do que com a suposta interferência da Rússia nas eleições de 2016.

Comey diz ter avisado Trump de que não era uma boa ideia pedir uma investigação do dossiê de inteligência vazado que descrevia um encontro de Trump com prostitutas em 2013 em Moscou.

Trump falou a Comey sobre o dossiê, feito pelo ex-espião britânico Christopher Steele, ao menos quatro vezes. O republicano teria negado as situações descritas no documento e dito que gostaria que o FBI investigasse as alegações para provar que não eram verdadeiras.

​O documento afirma que Trump viu as mulheres urinarem sobre si mesmas. "Sou um germófobo", disse-lhe Trump em ligação de 11 de janeiro de 2017, segundo o relato de Comey. "De modo algum deixaria pessoas urinarem nas outras perto de mim." 

"Eu disse a ele, 'senhor, o senhor que sabe, mas eu teria cuidado em relação a isso porque pode criar-se uma narrativa de que estamos investigando o senhor pessoalmente; e em segundo lugar, é muito difícil provar que algo não aconteceu", disse Comey.

De acordo com o ex-diretor do FBI, Trump estava preocupado com a possibilidade de sua mulher Melania acreditar nas alegações do dossiê.

Comey disse, sobre essa reunião com Trump: "Foi muito estranho. Foi quase uma experiência de sair de meu próprio corpo, eu estava flutuando acima de mim mesmo pensando 'você está aqui informando o novo presidente dos EUA sobre prostitutas em Moscou'".

Interagir com Trump, escreve Comey no livro, lhe deu "flashbacks de minha carreira anterior como promotor contra a máfia. O círculo silencioso de assentimento. O chefe no controle total. Os juramentos de fidelidade. A visão de mundo nós contra eles. A mentira sobre tudo, a serviço de um código de lealdade que coloca a organização acima da moral e da verdade".

O resultado, no dizer de Comey, é "o incêndio florestal que é a Presidência Trump".

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