Donald Trump diz que vai lançar mísseis na Síria

Americano diz que Rússia deve se preparar para ataque e que relação com o país é a pior da história

O presidente Donald Trump fala a militares em base aérea em San Diego, Califórnia
O presidente Donald Trump fala a militares em base aérea em San Diego, Califórnia - Mandel Ngan - 13.mar.2018/AFP
Washington

O presidente americano, Donald Trump, disse nesta quarta-feira (11) que os EUA vão lançar mísseis na Síria e que a relação entre Washington e Moscou está em seu pior momento na história. 

EUA e Rússia escalaram a guerra de palavras sobre o ataque a civis sírios, aumentando o risco de um conflito militar entre os antigos rivais da Guerra Fria, tendo agora como cenário a Síria. A movimentação de aliados como o Reino Unido também parece sinalizar uma ação iminente. 

Em publicação no Twitter, Trump disse que "a Rússia promete derrubar qualquer míssil lançado em direção à Síria. Prepare-se, Rússia, porque eles vão chegar, bons, novos e espertos!".

"Vocês não deviam ser parceiros de um animal que mata as pessoas com gás e gosta disso", continuou o republicano, em referência ao ditador Bashar al-Assad e ao suposto ataque químico do sábado, no reduto rebelde de Duma, que matou 43 pessoas e feriu 500.

A Casa Branca disse que Trump ainda não delineou um cronograma para uma eventual ação e que várias opções, além do ataque com mísseis mencionado pelo presidente, estão sobre a mesa.

Em um tom mais cauteloso, o secretário da Defesa, Jim Mattis, disse que os EUA estão avaliando informações de inteligência sobre o ataque. 

Questionado sobre se havia visto evidência para responsabilizar Assad, Mattis disse que o governo "ainda está trabalhando nisso". 

Em resposta a Trump, o Ministério das Relações Exteriores da Rússia disse que "mísseis espertos deveriam voar sobre terroristas, e não sobre governos legítimos". Tanto Damasco quanto Moscou chamam de terroristas os grupos rebeldes que tentam derrubar Assad.

A porta-voz da Chancelaria russa, Maria Zakharova, afirmou que uma ação americana representaria uma tentativa de destruir evidências sobre o ataque químico —cuja ocorrência tanto Síria quanto Rússia negam.

O Ministério das Relações Exteriores sírio disse que as ameaças de Trump eram "irresponsáveis" e punham em risco a paz internacional.

Já o Observatório Sírio de Direitos Humanos, baseado em Londres, afirmou que o regime de Assad começou a esvaziar os principais aeroportos e bases aéreas militares e reposicionar suas forças.

De seu lado, o Exército russo informou ter observado movimentação de forças da Marinha americana no golfo.

Analistas avaliam que um ataque americano envolveria a Marinha, devido ao risco representado pelas defesas aéreas russa e síria. O destróier USS Donald Cook está no Mediterrâneo.

REINO UNIDO PRONTO

A primeira-ministra britânica, Theresa May, disse que todas as indicações apontam para o envolvimento sírio no ataque "chocante e bárbaro" de sábado.

"Estamos rapidamente chegando ao entendimento do que aconteceu no terreno", afirmou. "Trabalhamos com nossos aliados mais próximos para considerar como garantir que os responsáveis sejam punidos."

A BBC disse que May está disposta a autorizar a participação britânica em uma ação militar sem buscar a aprovação do Parlamento.

O jornal britânico The Telegraph afirmou que a primeira-ministra deu ordem para que submarinos do país se posicionem suficientemente perto da Síria para disparar mísseis. Segundo a SkyNews, uma ação coordenada com EUA e França poderia ter início já nesta quinta, após reunião emergencial de gabinete convocada pela líder.

Desde que o governo de Vladimir Putin passou a dar apoio militar a Assad, em 2015, a guerra civil virou a favor do regime ditatorial. Denúncias anteriores sobre o uso de armas químicas por Damasco acabaram postas de lado por pressão de Moscou, que tem poder de veto no Conselho de Segurança das Nações Unidas.

Por isso, Trump também criticou a atual interação diplomática entre Washington e Moscou. "Nossa relação com a Rússia está pior agora do que jamais esteve, e isso inclui a Guerra Fria. Não há razão para isso."

As declarações do americano coincidem com um aumento da pressão nos EUA sobre a suposta interferência russa nas eleições de 2016, que teria beneficiado Trump.

Associated Press
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