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Acusada de ataque químico, Síria assume comissão da ONU para desarmamento

Presidência de órgão é rotativa e segue critério de ordem alfabética; EUA criticam

Washington e Genebra | Associated Press e Reuters

A ordem alfabética fez com que a Síria, país acusado de ataques com armas químicas na guerra civil que se arrasta desde 2011, assumisse a presidência da Conferência para o Desarmamento, órgão ligado à ONU que trabalha pela redução de armas no mundo e não proliferação de armas nucleares.

Crianças são atendidas após ataque químico atribuído ao regime Assad na cidade síria de Duma em abril
Crianças são atendidas após ataque químico atribuído ao regime Assad na cidade síria de Duma em abril - Defesa Civil da Síria - 8.abr.18/Associated Press

A conferência, sediada em Genebra, é formada por 65 países e é o fórum mundial mais importante na área de desarmamento, apesar de ter atingido poucos resultados práticos nos últimos anos. Damasco ocupará a presidência do órgão durante quatro semanas.

Os Estados Unidos criticaram a liderança síria do fórum, chamando-a de "farsa".

"Essa não é uma presidência normal e portanto os Estados Unidos não irão tratá-la como tal", afirmou o enviado americano à conferência, Robert Wood, que se retirou da sala na primeira reunião sob a presidência síria, nesta terça-feira (29).

O Departamento de Estado americano, em Washington, também se manifestou. "Estamos ultrajados com a flagrante negligência do regime sírio pela vida humana, as sérias violações disso e o desprezo pelas suas obrigações internacionais e sua audácia em assumir a presidência de um órgão internacional comprometido com o avanço do desarmamento", disse a porta-voz Heather Nauert. "Falta à Síria credibilidade para assumir a presidência", completou.

No início de abril, a cidade síria de Duma foi palco de mais um ataque químico que deixou 40 mortos e mais de 500 feridos em meio à guerra civil que opõe o regime do ditador Bashar al-Assad e rebeldes opositores.

Uma visita de inspetores internacionais foi adiada após uma equipe da ONU ser alvo de ataque a tiros em Duma. A missão da Opaq (Organização para Proibição de Armas Químicas) havia sido um pedido das potências ocidentais, que culpam Assad e a Rússia, sua aliada, pelo ataque —Moscou e Damasco negam envolvimento.

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