Casamento real deve levar mais de 100 mil turistas à pequena Windsor

Apesar de baixa repercussão política, união de Harry e Meghan deve ser evento do ano no Reino Unido

Paula Leite
Windsor

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Ao meio-dia (horário local, 8h no horário de Brasília) do sábado (19), na capela de São Jorge na pequena cidade de Windsor, o nobre que é apenas o sexto na linha sucessória do Reino Unido se casará com uma atriz americana de séries de TV.

O príncipe Harry com sua noiva, a atriz americana Meghan Markle - AFP

Ainda que a descrição genérica do evento não cause frisson e que o matrimônio tenha pouquíssima repercussão política, a união do príncipe Harry a Meghan Markle deve ser o evento do ano no país.

Se em 1936 a paixão do rei Edward 8º, tio de Elizabeth 2ª por uma americana divorciada, Wallis Simpston, era tão escandalosa a ponto de levar o monarca a abdicar para poder casar-se com ela, hoje causa pouca indignação a chegada à família real de Meghan, 36, também americana e divorciada.

Família real, aliás, que hoje exerce papel principalmente cerimonial e de relações públicas, além de contribuir para atrair turistas ao Reino Unido. Ainda que a rainha Elizabeth 2ª seja chefe de Estado e formalmente tenha poderes como suspender o Parlamento, substituir ministros e declarar guerra, na prática o país é uma monarquia constitucional, atualmente comandada pela primeira-ministra Theresa May.

Com uma população de pouco mais de 30 mil pessoas, a cidadezinha de Windsor deve receber até 100 mil pessoas no dia do evento real.

As celebrações começarão na capela de São Jorge, que fica dentro do castelo de Windsor e que, apesar do nome, é uma igreja anglicana de grande porte, construída no século 16. O castelo em si é onde a rainha passa muitos finais de semana e onde costuma morar entre março e abril.

Harry, 33, tem uma ligação pessoal com a capela, já que foi batizado no local. A união de seu pai, o príncipe Charles, e da segunda mulher dele, Camilla Parker-Bowles, foi abençoada na mesma igreja.

Enquanto seu irmão mais velho, William, o segundo na linha sucessória do reino, teve um casamento mais formal na abadia de Westminster, em Londres, seguido de recepção no palácio de Buckingham, e com chefes de Estado como convidados, Harry e Meghan foram dispensados de convidar políticos e líderes internacionais para a cerimônia na capela, da qual participarão cerca de 800 pessoas.

O último casamento da realeza a ser celebrado em Windsor, em 2008, foi o de Peter Philips, primo de Harry e William e filho da princesa Anne —apesar de Peter não ter nem mesmo um título da nobreza, recusado por seus pais.

A atriz chegará de carro à capela, para a cerimônia que será conduzida pelo “dean” de Windsor, espécie de bispo responsável pela igreja. O arcebispo de Canterbury presidirá sobre o momento da troca de votos entre os noivos. 

Depois da cerimônia, o casal —que deve receber um título de nobreza da avó de Harry, a rainha Elizabeth 2ª— sairá de carruagem, onde primeiro será cumprimentado pelas 2.640 pessoas comuns (líderes comunitários, crianças locais, chefes de organizações de caridade, entre outros) que estarão dentro dos muros do castelo de Windsor e depois pela população nas ruas da cidadezinha, onde darão uma volta de pouco mais de 3 km.

No mesmo dia, haverá duas recepções para comemorar o enlace: uma que tem como anfitriã a rainha, no suntuoso salão de São Jorge, no castelo de Windsor, para cerca de 800 convidados. A outra, mais íntima e à noite, que tem o príncipe Charles como anfitrião, será na casa Frogmore, que fica dentro do grande parque que envolve o castelo.

Detalhes como quem está na lista de convidados, quem fará o vestido de Meghan e onde os dois passarão sua lua-de-mel ainda são desconhecidos. 

Enquanto isso, os tabloides têm que se contentar com informações como a de que no buquê de Meghan haverá um raminho de murta, já que as mulheres da família real tradicionalmente o fazem, desde o casamento de Elizabeth, mãe da atual rainha. 

A jornalista viajou a convite do Visit Britain

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