Coreia do Norte suspende conversas com o Sul e coloca em dúvida cúpula com Trump

Motivo seriam os exercícios militares conjuntos entre EUA e Coreia do Sul

Homem assiste a reportagem na TV sobre encontro entre Donald Trump e Kim Jong-un, em Seul - Ahn Young-joon - 13.mai.2018/AP
Washington | Reuters

A Coreia do Norte anunciou a suspensão das conversas de alto nível que teria nesta terça-feira (15) com a Coreia do Sul, citando como motivo a realização de exercícios militares conjuntos entre sul-coreanos e americanos, e colocou em dúvida a realização da cúpula entre Kim Jong-un e o presidente dos EUA, Donald Trump.

O encontro Norte-Sul tinha como objetivo discutir planos para implementar uma declaração entre os Kim, ditador da Coreia do Norte, e Moon Jae-in, presidente da Coreia do Sul, após cúpula histórica em 27 de abril. A declaração prometia o fim formal da Guerra da Coreia e a busca da completa desnuclearização da Coreia do Norte.

A agência estatal norte-coreana de notícias afirmou que os exercícios militares conjuntos eram um  treinamento para uma invasão da Coreia do Norte e uma provocação e que Pyongyang não tinha outro opção senão suspender as conversas. 

Autoridades dos dois países se encontrariam em Panmunjom, vilarejo na Zona Desmilitarizada das Coreias. Segundo Seul, as conversas foram suspensas por tempo indeterminado. 

Kim tem previsto se encontrar com Trump em 12 de junho, na Singapura.

O vice-ministro de Relações Exteriores norte-coreano, Kim Kye-gwan, disse também nesta terça que a reunião com o presidente americano poderá ser cancelada caso Washington insista em uma desnuclearização unilateral. 

O diplomata também afirmou que Pyongyang não aceitará um desmonte do programa nuclear semelhante aos que foram feitos na Líbia e no Iraque —as ditaduras que comandavam os dois país acabaram sendo derrubadas alguns anos após aceitarem por fim a seus seus programas nucleares. 

"Nós não estamos interessados em uma negociação que vai nos encurralar e nos obrigar a aceitar demandas unilaterais para que desistamos dos mísseis [nucleares]. Isso nos obrigará a repensar o convite para a cúpula Coreia do Norte-EUA", afirmou ele.

O vice-ministro disse ainda que seu país está disposto a manter o encontro caso o governo Trump "encare a reunião com a intenção de melhorar a relação".

​ “O Departamento de Estado dos EUA afirmou não ter sido informado de nenhum cancelamento e que planeja o encontro dos dois líderes normalmente. 

Mais tarde, a Casa Branca afirmou que estava consciente dos relatos sobre o cancelamento do encontro entre as Coreias, mas que iria tentar obter os fatos de maneira independente e continuar “trabalhando com nossos aliados”, segundo a porta-voz Sarah Sanders.

"Esse exercício contra nós, que está sendo realizado na Coreia do Sul, é um desafio flagrante à Declaração de Panmunjom e uma provocação militar intencional que vai contra o desenvolvimentos políticos positivos na península coreana", disse a KCNA.

"Os EUA também terão de ter deliberações cuidadosas sobre o destino da cúpula prevista entre Coreia do Norte e EUA à luz desse provocativo tumulto militar conduzido em conjunto com as autoridades sul-coreanas." 

Os exercícios de duas semanas começaram na última sexta-feira (11) com a participação de 100 aviões de guerra, incluindo oito caças "invisíveis" F-22 e um número não especificado de aeronaves dos tipos B-52 e F-15K.

“Kim Jong-un havia dito antes que entendia a necessidade e a utilidade da continuidade dos exercícios conjuntos entre EUA e Coreia do Sul”, disse a porta-voz do Departamento de Estado Heather Nauert, após o anúncio.

“Vamos seguir adiante a planejar o encontro entre Trump e Kim Jong-un.” 

O anúncio veio como uma surpresa para a comunidade internacional. Autoridades sul-coreanas haviam dito nesta terça que a Coreia do Norte está de fato começando a desmontar o local onde fazia testes nucleares. 

Roh Jae-cheon, porta-voz do Estado-Maior das Forças Armadas sul-coreanas, disse que os militares têm visto sinais de que o Norte está fazendo “trabalhos preparatórios” para fechar o local de testes. 

Uma análise do site especializado americano 38 North afirma que imagens comerciais de satélites mostram que prédios de apoio foram desmontados e que trilhos para trens de carga de minério parecem ter sido retirados.

A Coreia do Norte anunciou no sábado que iria desativar o local de testes entre os dias 23 e 25 de maio e que jornalistas da Coreia do Sul, EUA, China, Rússia e Reino Unido serão convidados a ver a destruição de túneis e de equipamentos de observação e pesquisa.

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