Em meio a protestos, EUA inauguram embaixada em Jerusalém

Mudança é alvo de críticas de palestinos e da comunidade internacional

O secretário do Tesouro dos EUA, Steven Mnuchin, inaugura a placa comemorativa na embaixada em Jerusalém, tendo a seu lado Ivanka, filha de Donald Trump
O secretário do Tesouro dos EUA, Steven Mnuchin, inaugura a placa comemorativa na embaixada em Jerusalém, tendo a seu lado Ivanka, filha de Donald Trump - Ronen Zvulun/Reuters
Washington e Jerusalém

Os Estados Unidos inauguraram nesta segunda-feira (14) sua embaixada em Jerusalém, em meio a uma série de protestos na faixa de Gaza que deixou dezenas de palestinos mortos

A decisão de mudar a embaixada para a cidade foi anunciada em dezembro pelo presidente Donald Trump, que assim cumpriu uma de suas promessas de campanha, mas enfrentou resistência de palestinos e da maior parte da comunidade internacional, incluindo países europeus. 

A maioria dos países mantém suas embaixadas em Tel Aviv e não reconhece Jerusalém como capital de Israel, já que ela também é reivindicada pelos palestinos.

O Congresso dos EUA aprovou uma lei em 1995 que previa o reconhecimento de Jerusalém como capital de Israel e a transferência da embaixada, com prazo final em maio de 1999; no entanto, o texto permitia o adiamento da transferência por seis meses, e todos os presidentes desde então vinham adiando a mudança a cada meio ano. Em dezembro do ano passado, porém, Trump reconheceu a cidade como capital de Israel.  ​

Alguns poucos países, entre eles Guatemala e Paraguai, anunciaram que vão seguir Washington e também vão mudar suas embaixadas. 

Apesar das críticas, o governo americano manteve o plano da mudança e até mesmo antecipou a inauguração, inicialmente planejada para 2019. 

"Hoje abrimos a embaixada dos Estados Unidos em Jerusalém, Israel", disse o embaixador americano no país, David Friedman, ao começar a cerimônia. 

Ela fica em um prédio onde antes ficava o consulado dos EUA na cidade, no bairro de Arnona

Em uma mensagem gravada de Washington, Donald Trump defendeu a mudança de embaixada. "Os Estados Unidos sempre serão um grande amigo de Israel e um parceiro da liberdade e da paz", disse.

Ele também afirmou que espera que a mudança ajude na elaboração de um acordo de paz entre israelenses e palestinos. 

O premiê israelense Binyamin Netanyahu classificou a data como um dia "histórico" e "glorioso" e voltou a afirmar que Jerusalém é a "a capital eterna e indivisível de Israel. 

Já um porta voz do presidente palestino Mahmoud Abbas afirmou que a mudança da embaixada cria apenas agitação e instabilidade na região. 

Diversas autoridades americanas viajaram para a cerimônia desta segunda, entre elas o secretário do Tesouro, Steve Mnuchin, Ivanka Trump (filha do presidente) e seu marido Jared Kushner, que assessora a Casa Branca para assuntos do Oriente Médio.

Os senadores republicanos Ted Cruz e Lindsey Graham também estavam presentes. 

Em discurso, Kushner disse que a inauguração mostra que os EUA cumprem suas promessas e que o país pode ter a confiança de seus aliados. 

A data de inauguração da embaixada foi escolhida para coincidir com o aniversário de 70 anos da fundação de Israel no calendário gregoriano, que também ocorre nesta segunda. 

Já entre os palestinos, a mudança foi recebida com um grande protestos na faixa de Gaza. Cerca de 35 mil pessoas participaram da manifestação, que terminou em confronto com soldados israelenses e deixou dezenas de mortos. 

Associated Press e Reuters

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