Facebook diz que vai bloquear anúncios estrangeiros sobre referendo na Irlanda

Grupos americanos antiaborto têm tentado influenciar votação de 25 de maio

O premiê da Irlanda, Leo Varadkar (centro), e outros ministros fazem campanha pelo fim da proibição do aborto, em Dublin - Clodagh Kilcoyne - 21.abr.2018/Reuters
São Paulo , Londres e Dublin | Associated Press e Reuters

O Facebook afirmou nesta terça-feira (8) que vai banir anúncios estrangeiros relacionados ao referendo sobre o aborto na Irlanda, em meio a preocupações de que grupos americanos estejam tentando influenciar a campanha.

Pela primeira vez em 35 anos, eleitores irlandeses vão decidir no próximo 25 de maio se rejeitam a proibição constitucional ao aborto, num referendo que tem chamado a atenção internacionalmente.

"Como parte de nosso esforço para tentar proteger a integridade de eleições e referendo de uma influência indevida, vamos começar a rejeitar anúncios relacionados ao referendo se eles estiverem sendo feitos por anunciantes baseados fora da Irlanda", afirmou a empresa em nota. 

A companhia afirmou que irá se basear em relatórios de grupos de campanha estabelecidos em ambos os lados da disputa para identificar os anúncios estrangeiros, uma vez que sua ferramenta automática de "integridade eleitoral" ainda está sendo desenvolvida. 

Em 25 de abril, o Facebok lançou uma versão experimental da ferramenta "ver anúncios", que permite aos usuários ver todos os anúncios que um anunciante está publicando no Facebook na Irlanda ao mesmo tempo. 

A Irlanda proíbe doações para campanhas políticas vindas de outros países, mas a lei não se aplica a anúncios em mídias sociais. Grupos antiaborto baseados nos EUA estão entre os que compraram anúncios online na Irlanda durante a campanha. 

O Facebook disse que, a partir desta terça, vai "começar a rejeitar anúncios relacionados ao referendo se eles estiverem sendo feitos por agências baseadas fora da Irlanda". 

A rede social tem tentado aumentar sua transparência após revelações de que a consultoria Cambridge Analytica coletou dados de usuários para direcionar a eles propaganda política durante a campanha presidencial nos EUA em 2016. 

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