Israel festeja abertura de embaixada dos EUA em Jerusalém e reforça policiamento

Palestinos preparam protestos com milhares de pessoas nesta segunda-feira (14)

Jerusalém

O governo israelense deu início neste domingo (13) às festividades para comemorar a abertura da embaixada dos Estados Unidos em Jerusalém, ao mesmo tempo em que reforçou o contingente militar na fronteira da faixa de Gaza e da Cisjordânia, prevendo grandes protestos dos palestinos nesta segunda-feira (14).  
Um dia antes da abertura oficial da embaixada, o governo israelense promoveu uma festa de gala no Ministério das Relações Exteriores, com a presença de Ivanka Trump, filha do presidente americano, Donald Trump, e o marido dela, Jared Kushner.  

Manifestantes carregam bandeiras dos Estados Unidos e de Israel na parte antiga de Jerusalém, comemorando o "dia de Jerusalém".
Manifestantes carregam bandeiras dos Estados Unidos e de Israel na parte antiga de Jerusalém, comemorando o "dia de Jerusalém". - Thoman COEX/AFP

Dezenas de países, entre eles Reino Unido, França e Alemanha, não compareceram às festividades de domingo.


No evento, o primeiro-ministro israelense, Binyamin Netanyah, elogiou a decisão “corajosa” de Trump, que reverteu quase sete décadas de política externa americana ao reconhecer Jerusalém como a capital de Israel. “Ele fez o que era certo”, disse Netanyahu, diante de uma plateia exultante. "Obrigada, presidente, por tornar a aliança entre Israel e EUA mais forte do que nunca", disse. 

Trump anunciou em dezembro a decisão de transferir a embaixada de Tel  Aviv para Jerusalém , enfurecendo os palestinos, que reivindicam Jerusalém oriental como capital de seu futuro Estado. 
Na época da criação do Estado de Israel, em 1948, a ONU definiu que Jerusalém seria uma cidade internacional, sem controle exclusivo de judeus, árabes ou cristãos. Pouco depois, no entanto, o Parlamento israelense foi “instalado” em Jerusalém Ocidental.
E em 1967, na chamada Guerra dos Seis Dias, Israel se apossou de Jerusalém Oriental e da Cisjordânia (então controlados pela Jordânia).
Na época (e até hoje), a grande maioria da população de Jerusalém Oriental era palestina. O governo israelense concede aos palestinos que lá vivem “permissão de residência”. A anexação desses territórios por Israel não foi reconhecida internacionalmente. Só Guatemala e Paraguai seguiram os EUA e anunciaram que transfeririam suas embaixadas para Jerusalém. Os outros países que têm embaixadas no país as mantêm em Tel Aviv, porque não querem tomar partido na disputa sobre Jerusalém. 

O presidente palestino, Mahmoud Abbas, cortou relações com o governo Trump e declarou que os Estados Unidos deixaram de ser aptos para mediar o conflito israelo-palestino. 

O Hamas, grupo que controla a faixa de Gaza, tem organizado protestos semanais contra o bloqueio econômico imposto ao território por Israel e Egito. Esses protestos devem chegar ao ápice nesta segunda-feira (14), com a previsão de que dezenas de milhares de pessoas irão se concentrar na fronteira de Israel ao mesmo tempo em que os EUA abrem sua embaixada em Jerusalém.
O Hamas indicou que dezenas de milhares de palestinos podem tentar derrubar a cerca da fronteira para exercer seu “direito de retorno” a suas casas.

A abertura da embaixada foi programada para coincidir com o aniversário de 70 anos do estabelecimento do estado de Israel. Os protestos palestinos também marcam a data como aniversário do “naqba” (catástrofe), época em que centenas de milhares de pessoas fugiram de suas casas ou foram expulsas durante a criação de Israel. Cerca de dois terços dos habitantes de Gaza são descendentes de refugiados palestinos. 
Uma invasão da cerca pode levar a reações violentas das forças israelenses. Quarenta e dois palestinos foram mortos pelas forças israelenses e 1,8 mil ficaram feridos desde que começaram os protestos, dia 30 de março. A União Europeia e a ONU acusam Israel de uso excessivo da força contra manifestantes desarmados. 
Israel afirma que está protegendo sua fronteira e que o Hamas está usando as manifestações para organizar ataques. Manifestantes atiram pedras e incendeiam pneus na cerca, além de jogar pipas em chamas. 
O governo israelense anunciou que reforçou o contingente militar na fronteira de Gaza com batalhões de combate, unidades especiais, agentes de inteligência e atiradores de elite.

Associated Press

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