Descrição de chapéu Silvio Berlusconi Itália

Justiça devolve direitos políticos a Berlusconi, que pode voltar ao poder

Ex-premiê estava impedido de concorrer por condenação de 2012; Itália pode ter novas eleições

Roma | Associated Press

O ex-premiê italiano Silvio Berlusconi, figura dominante da política de seu país no último quarto de século, foi autorizado pela Justiça a concorrer em eleições nacionais novamente.

O ex-premiê Silvio Berlusconi durante entrevista coletiva no palácio presidencial italiano, em abril
O ex-premiê Silvio Berlusconi durante entrevista coletiva no palácio presidencial italiano, em abril - Gregorio Borgia - 12.abr.2018/Associated Press

Com o impasse na formação de um novo governo italiano, que se arrasta desde março, há a possibilidade de que Berlusconi tente retomar o cargo que ocupou por três vezes desde 1994 talvez já no ano que vem.

Ele havia perdido seus direitos políticos há quase cinco anos, quando foi condenado por diversas fraudes fiscais. Na ocasião, teve de deixar seu cargo de senador e foi barrado de concorrer em eleições nacionais por seis anos.

Segundo o jornal Corriere della Sera, o Tribunal de Vigilância de Milão tomou a decisão após a revisão de recursos de advogados do político. Inicialmente, o banimento do político de 81 anos iria expirar apenas em 2019.

“Silvio Berlusconi pode finalmente retornar ao campo”, disse ao jornal uma líder do partido do ex-premiê, a agremiação de centro-direita Forza Italia, Mara Carfagna. “A reabilitação acaba com uma perseguição política”, afirmou, completando que “a grande liderança [de Berlusconi] é fundamental e central”.

Ainda há um prazo de 15 dias para os promotores que cuidam do caso recorrerem do fim do banimento.
Berlusconi, dono de um império de comunicação e um dos homens mais ricos da Itália, havia sido condenado em 2012 por diversas fraudes no pagamento de impostos de suas empresas.

No ano seguinte, a mais alta corte criminal italiana confirmou a condenação a quatro anos de prisão. Como sua sentença inicial superava os dois anos de detenção, um dispositivo equivalente à Lei da Ficha Limpa brasileira cassou seu mandato e o tornou inelegível por seis anos.

Berlusconi conseguiu comutar o tempo de cadeia por serviços comunitários, trabalhando em uma unidade de tratamento para pacientes com mal de Alzheimer.

Enquanto isso, seus advogados recorreram à Corte Europeia de Direitos Humanos, acusando exagero na sentença. O tribunal deve decidir neste ano sobre o caso, mas com isso Berlusconi ficou de fora das eleições parlamentares de 4 de março, que racharam novamente a turbulenta política italiana.

Mesmo sem poder concorrer, Berlusconi operou uma aliança entre seu Forza Italia e o partido anti-migração de direita Liga.

O líder da agremiação, Matteo Salvini, vem desde então negociando um acordo com o populista Movimento 5 Estrelas de Luigi di Maio, que saiu do pleito com a maior bancada do Parlamento.

Mas como Berlusconi rejeitou uma aliança com Salvini e Di Maio, alegando que o 5 Estrelas é “mais perigoso do que os comunistas”, o impasse poderá levar à formação de um governo interino com um premiê não político indicado pelo presidente do país, Sergio Mattarella.

Tudo isso poderá levar a uma nova eleição parlamentar antes do pleito previsto para 2023, e agora Berlusconi teria condições de ser candidato.

O ex-premiê é a figura mais constante da política italiana desde que emergiu como candidato na esteira da implosão dos partidos tradicionais do país devido à Operação Mãos Limpas, que apurou a conexão de políticos e mafiosos.

Em 1994, o bilionário surgiu com um discurso populista à direita e encaixou-se no figurino de “outsider” egresso das fileiras do empresariado.

O impacto da Mãos Limpas na política italiana é usualmente comparado com o que acontece no Brasil desde 2014 com a Operação Lava Jato.

No caso da primeira eleição de Berlusconi, não deu muito certo, e ele deixou o cargo um ano depois. Permaneceu influente e voltou a ser primeiro-ministro de 2001 a 2006 e, depois, de 2008 a 2011.

Dono de um estilo de vida exuberante, associado a orgias, ele tornou-se uma figura rejeitada por outros líderes europeus, ainda que popular.

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