Líderes europeus fazem blitz diplomática para tentar salvar acordo com Irã

Movimento é resposta a Trump, que anuncia nesta terça (8) se os EUA vão se manter no tratado

Madri

Os líderes das principais potências europeias aguardam nesta terça-feira (8) a decisão de Donald Trump se manterá ou abandonará o acordo nuclear com o Irã.

O presidente americano deve anunciar sua escolha às 14h locais (às 15h em Brasília). Enquanto isso, governos europeus se mobilizam para encontrar maneiras de manter o trato —mesmo na ausência dos EUA.

O acordo em questão foi estabelecido em 2015 por Barack Obama, antecessor de Trump, com o objetivo de frear o programa nuclear iraniano. Como contrapartida, as sanções econômicas impostas ao regime de Hasan Rowhani deveriam ser canceladas. A avaliação feita pelas principais potências europeias, como a França e o Reino Unido, é de que o texto teve até agora sucesso em interromper a ambição nuclear iraniana.

O ministro de Relações Exteriores britânico, Boris Johnson (esq.), durante encontro com o secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, em Washington
O ministro de Relações Exteriores britânico, Boris Johnson (esq.), durante encontro com o secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, em Washington - Kevin Lamarque - 7.mai.2018/Reuters

Desde sua eleição em 2016, Trump ameaça romper o tratado, que ele chegou a descrever como “o pior acordo já negociado”. Ele afirma, por exemplo, que o texto não abrange o programa de mísseis balísticos iranianos nem lida com o papel de Teerã nas guerras na Síria e no Iêmen.

Por isso, europeus têm tentado convencer os EUA que, caso mantenham o acordo, poderão rever as suas cláusulas e, assim, incluir as exigências americanas no texto. O problema dessa solução é que o Irã dificilmente aceitará a revisão do pacto sem exigir a inclusão de novas condições.

O ministro de Relações Exteriores britânico, Boris Johnson, reuniu-se na segunda-feira (7) em Washington com líderes americanos, incluindo o vice-presidente Mike Pence. Ali, pediu publicamente que Trump não abandone o pacto.

De todas as opções disponíveis para impedir o Irã de ter armamentos nucleares, o acordo atual é o que oferece “menos desvantagens”, segundo Johnson. Em artigo no jornal New York Times, o britânico escreveu que “agora que essas algemas foram colocadas, não enxergo nenhuma vantagem possível em retirá-las”.

Na terça-feira, à espera da decisão americana, a ministra da Defesa francesa, Florence Parly, fez sua própria ofensiva. À rádio RTL ela afirmou que o acordo —apesar de imperfeito— teve sucesso em impedir o Irã de ter armas nucleares. “Esse pacto é um fator de paz e de estabilidade em uma região bastante volátil”, disse Parly.

Outra estratégia europeia pode ser a de manter a sua parte no acordo iraniano, a despeito da retirada americana. Essa opção dependerá de se, quando e como Trump reintroduzir sanções econômicas ao Irã. Se as empresas europeias puderem manter seus negócios em Teerã, por exemplo, será mais fácil que França, Reino Unido e Alemanha —os três países mais influentes da União Europeia— encontrem uma maneira de salvar o pacto de 2015.

No ano passado, o chanceler iraniano, Mohammad Javad Zarif, afirmou que o país pode manter sua parte no acordo desde que a Europa cumpra com a sua. “A resistência europeia contra os EUA nos mostrará se o tratado nuclear pode ser levado adiante ou não”, disse.

A Europa terá também de recrutar Rússia e China para se manterem dentro do pacto, enquanto convence o governo e o público do Irã das vantagens de não retomar seu programa nuclear, mesmo com a possível saída americana. Outros países impactados por esse cenário, como o Japão e a Índia, podem ser fundamentais no processo —progressivamente isolando Trump, caso ele de fato abandone o trato.

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