Locais no Texas abrigam crianças de até 5 anos separadas dos pais na fronteira

Governo de Michigan, na fronteira com o Michigan, afirma ter recebido bebês de até meses

Garance Burke Martha Mendoza
Texas | Associated Press

O governo americano tem enviado bebês e outras crianças pequenas separadas de seus pais na fronteira a três abrigos especializados no sul do estado do Texas.

Advogados e médicos que visitaram os locais, no vale do Rio Grande, relataram à agência Associated Press a existência de salas cheias de crianças de menos de cinco anos chorando sem os pais.

 

A administração do presidente republicano Donald Trump, que tem sofrido críticas generalizadas por causa da política de separar famílias que tentam entrar ilegalmente nos EUA, planeja abrir um quarto abrigo para receber mais 240 crianças de até cinco anos em Houston, também no Texas.

Em Michigan, que fica na fronteira com o Canadá e é governado por um republicano, o Departamento Estadual de Direitos Civis afirmou ter recebido crianças de três meses de idade em seus abrigos temporários.

Em nota, o órgão critica a política do governo e afirma que, apesar de todos os esforços de seus funcionários, nada pode substituir o amor, a sensação de segurança e o cuidado de um pai.

Desde o início da chamada política de "tolerância zero" do governo americano, em maio, mais de 2.300 crianças foram separadas de seus pais na fronteira dos EUA com o México. O governo decidiu processar criminalmente imigrantes que entram ilegalmente nos EUA, por isso os pais são normalmente enviados a presídios federais; como não podem ser presas, as crianças são então enviadas a abrigos sob os cuidados do Departamento de Saúde e Serviços Humanos.

O sistema de serviço social dos EUA não coloca crianças em instituições ou orfanatos há décadas; no país, crianças separadas dos pais por qualquer razão normalmente ficam sob os cuidados de famílias voluntárias até que voltem a seus parentes ou que sejam adotadas em definitivo.

Especialistas têm atacado a decisão de colocar crianças pequenas em abrigos, o que pode levar a impactos psicológicos duradouros. "Só de pensar que eles estão colocando crianças tão pequenas em um contexto institucionalizado, é difícil até de imaginar. Bebês estão sendo detidos", disse Kay Bellor, vice-presidente do Serviço de Imigração e Refúgio Luterano, ONG que cuida de crianças migrantes.

As Nações Unidas, o papa Francisco, grupos religiosos e congressistas democratas e republicanos têm criticado a política de separar crianças dos pais.

Steven Wagner, do Departamento de Saúde e Serviços Humanos, defendeu os cuidados dados às crianças. "Temos locais especializados que se dedicam a cuidar de crianças com necessidades especiais e muito jovens, que definimos como as de até 13 anos. Não são instituições do governo, esses locais têm médicos treinados, são licenciados pelas agências de bem-estar infantil dos estados e têm funcionários que sabem lidar com as necessidades das crianças pequenas", disse ele.

"Não temos um modelo de como dar abrigo a um monte de crianças pequenas em caminhas, numa instituição, no nosso país. Nós não temos orfanatos, nosso sistema de bem-estar infantil reconhece que esse não é um contexto adequado para crianças pequenas", disse Michelle Brane, diretora de direitos dos migrantes da Comissão de Refugiadas.

A Casa Branca não informa quantas crianças de menos de cinco anos foram separadas dos pais nos últimos meses; o Departamento de Saúde e Serviços Humanos diz não saber qual é o número.

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