Descrição de chapéu Venezuela

Mercosul pede que Venezuela facilite acesso de ajuda internacional ao país

Pedido foi assinado por Brasil, Uruguai, Paraguai e Argentina

José Marques
Luque (Paraguai)

O aumento do fluxo migratório de venezuelanos levou os membros fundadores do Mercosul a pedirem ao país comandado pelo ditador Nicolás Maduro, nesta segunda (18), que aumente os canais de acesso a ajuda humanitária internacional.

Em comunicado assinado pelos quatro países fundadores (Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai) após a cúpula dos presidentes do grupo, na região metropolitana de Assunção, também foi decidido que o bloco priorizará a coordenação de esforços para dar respostas à migração e refúgio de venezuelanos.

Não foi tomada, no entanto, nenhuma nova sanção contra o país, que era membro do Mercosul, mas acumula duas suspensões do bloco. A última delas é de agosto do ano passado, tomada após a formação de Assembleia Constituinte em Caracas.

“Lamentamos dizer de uma certa ruptura existente na ordem democrática da Venezuela e nós continuamos vigilantes frente a uma deterioração humanística no quadro daquele país”, disse o presidente Michel Temer em seu discurso, pela manhã.

Segundo ele, foi o “dever de fidelidade aos valores essenciais” como democracia, liberdades fundamentais e direitos humanos que levou o bloco a sancionar o país vizinho. 

“Se nós quiséssemos passar os olhos pela história, veríamos quanto sacrifício os povos fizeram para alcançar esses direitos. Não foi por outra razão que nós aplicamos o protocolo de Ushuaia”, afirmou Temer, citando o compromisso de democracia assinado pelo grupo em 1998.

Segundo a assessoria da Presidência, Temer estará na quinta-feira (21) em Roraima para vistoriar as instalações de refugiados venezuelanos que foram construídas no estado. Anteriormente o presidente havia falado que a visita ocorreria nesta terça-feira (19).

“O povo irmão atravessa um momento preocupante e não há espaço para hesitações por isso que agimos dessa maneira.”

A crise humanitária na Venezuela foi citada ainda pelo presidente do Paraguai, Horacio Cartes. Em meio a uma série de demissões de ministros e problemas econômicos, o presidente da Argentina, Mauricio Macri, faltou à cúpula.

Em outro comunicado também anunciado após a reunião, o Mercosul condenou a violência na Nicarágua e pediu que haja o retorno do diálogo entre o governo e manifestantes. 

Há pelo menos dois meses uma onda de confronto entre forças do presidente Daniel Ortega e manifestantes já deixaram 170 mortos —a mais letal repressão desde o fim da guerra civil, em 1990. 

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