Papa aceita renúncia de três bispos chilenos por escândalo de abuso sexual

Entre os dispensados está Juan Barros, pivô do caso que atingiu a cúpula da Igreja no país

Vaticano | AFP e Reuters

O papa Francisco aceitou a renúncia de três bispos chilenos, anunciou o Vaticano nesta segunda (11). Entre os religiosos dispensados está Juan Barros, responsável pela diocese de Osorno, que está no centro do escândalo de acobertamento de crimes sexuais que atingiu a Igreja no país.

Além de Barros, o papa também aceitou as renúncias de Cristian Caro Cordero, bispo de Puerto Montt, e de Gonzalo Duarte García de Cortazar, bispo de Valparaíso. 

O papa Francisco recebe no Vaticano o bispo Juan Barros, acusado de acobertar casos de pedofilia, durante encontro entre o pontífice e a cúpula da igreja no Chile
O papa Francisco recebe no Vaticano o bispo Juan Barros, acusado de acobertar casos de pedofilia, durante encontro entre o pontífice e a cúpula da igreja no Chile - CTV - 17.mai.2018/Associated Press

Em uma decisão sem precedentes, 34 bispos do Chile ofereceram uma renúncia conjunta em 18 de maio depois de uma série de reuniões com o pontífice no Vaticano.

Não ficou claro se a decisão desta segunda indica que o papa não irá aceitar as renúncias dos outros 31 bispos.

Vários membros da hierarquia da Igreja Católica chilena são acusados ​​de terem ignorado ou encoberto os abusos do padre chileno Fernando Karadima entre os anos 1970 e 1990 —ele foi condenado por pedofilia em 2011 por um tribunal da Santa Sé. 

Karadima é considerado o mentor de Barros, que foi indicado pelo próprio Francisco como bispo de Osorno em 2015.

A nomeação rendeu críticas ao pontífice, que chegou a fazer uma defesa do bispo em janeiro, quando visitou o Chile. Francisco, porém, decidiu rever sua posição após sofrer críticas e ver a popularidade da Igreja despencar no país.

O pontífice ordenou o início de uma investigação dos casos de abuso no Chile e no início de maio se encontrou com vítimas de Karadima no Vaticano.

O papa pediu desculpas às vítimas e admitiu uma "série de erros" no caso após a conclusão da investigação, que resultou em um relatório de 2.300 páginas. 

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