Trump culpa imigrantes por aumento inexistente do crime na Alemanha

Chanceler alemã Merkel enfrenta disputa com a CSU sobre o tema, que pode rachar sua coalizão

Washington e Berlim | Reuters e AFP

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse nesta segunda-feira (18) que o crime estava em alta na Alemanha por culpa de imigrantes e atacou a política migratória do país, um dos principais aliados dos EUA.

Trump fala a repórteres na Casa Branca antes de partir para a reunião do G7
Trump fala a repórteres na Casa Branca antes de partir para a reunião do G7 - Nicholas Kamm - 8.jun.18/AFP

Na verdade, a Alemanha registrou no ano passado os menores índices de criminalidade em mais de 30 anos, segundo dados do Ministério do Interior do país.

O republicano culpou a imigração por mudar a cultura europeia e fez um paralelo da situação do continente com a migração aos EUA. 

"O povo da Alemanha está se voltando contra sua liderança enquanto a questão da migração balança a já tênue coalizão de Berlim. O crime na Alemanha está aumentando muito. Grandes erros estão sendo feitos em toda a Europa ao deixarem entrar milhões de pessoas que mudaram a cultura de forma forte e violenta!", escreveu Trump no Twitter.

​O republicano está enfrentando críticas de ativistas de direitos humanos, de congressistas democratas e até de membros de seu próprio partido devido à política de sua administração de separar crianças imigrantes de seus pais na fronteira dos EUA com o México, um procedimento que tem como objetivo desencorajar a imigração ao país.

Já na Alemanha, a chanceler Angela Merkel enfrenta uma disputa com a União Social Cristã (CSU), espécie de legenda irmã do seu partido no estado da Baviera, a conservadora União Democrata Cristã (CDU) devido à questão da imigração.

A política de portas abertas adotada pela chanceler em 2015 acertou em cheio a Baviera, que recebeu a maior parte do cerca de 1 milhão de refugiados acolhidos pelo país. Depois, essas pessoas foram distribuídas pelos diversos estados alemães, seguindo critérios populacionais.

O ministro do Interior alemão, Horst Seehofer, que é da CSU, quer que a Alemanha rejeite a entrada de refugiados que já tenham sido registrados em outros países europeus, uma medida a que Merkel se opõe. A CSU enfrenta eleições regionais em outubro e teme que suas décadas de domínio na Baviera sejam ameaçadas pelo sentimento anti-imigração. 

Nesta segunda, a CSU deu um prazo de duas semanas para que Merkel chegue a um acordo com outros países europeus para a redistribuição de refugiados no continente, questão tem causado fricção entre dois importantes membros, a Itália e a França.

Caso não haja acordo, a CSU quer proibir a entrada na Alemanha de refugiados que já tenham se registrado em outros países.

 
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