Cem brasileiros são detidos por mês na fronteira dos EUA, diz levantamento

Mais da metade são deportados; dos que pedem asilo às autoridades americanas, só 2% conseguem

O agente de farda verde aparece de costas, enquanto olha para um muro com uma parte baixa vazada, com altura pouco superior à do agente, e, acima, placas de concreto do mesmo tamanho.
Agente da Patrulha de Fronteira dos EUA observa protótipo do muro que Donald Trump pretende construir na fronteira com o México em San Diego, na Califórnia - Jae C. Hong - 28.jun.18/Associated Press
Estelita Hass Carazzai
Chicago

Em média, cem brasileiros são detidos todo mês ao tentarem entrar ilegalmente nos EUA pela fronteira com o México, segundo dados oficiais dos últimos sete meses. 

Os números foram obtidos pela Folha com a Universidade de Siracusa, que compila as informações fornecidas pela patrulha da fronteira americana, responsável pela segurança na região. 

No mês de abril, foram 130 brasileiros apreendidos, sendo que apenas dois eram crianças, segundo dados oficiais. 

O fluxo é menor do que há dois anos, quando se chegou a um pico de 500 brasileiros detidos por mês. 

Boa parte deles é deportada imediatamente pelo governo americano: as deportações administrativas, que não precisam passar pela Justiça e têm sido usadas com frequência desde o governo de Barack Obama (2009-17), somam cerca de 60% dos casos.

"Essa é a política oficial: prender ou deportar os imigrantes rapidamente", afirmou à Folha a professora Susan Long, coordenadora do projeto Trac, que compila os dados da fronteira.

Mas, entre eles, há os que pedem asilo, argumentando que temem por suas vidas caso voltem ao Brasil. Isso aconteceu em pouco mais da metade dos casos de deportação nos últimos meses, e costuma estender o período de permanência dos brasileiros no país, ainda que em prisões de imigração. 

Os casos precisam ser avaliados pelas autoridades americanas, que só depois de entrevistar os imigrantes decidem se irão deportá-los ou admiti-los nos EUA. 

Não há estatísticas sobre quantos deles, de fato, conseguiram dar início ao processo administrativo de asilo. Mas advogados afirmam que a concessão é rara entre brasileiros: nas cortes de imigração, o percentual não supera 2% dos casos.

O número de brasileiros representa um percentual ínfimo do total de apreensões na fronteira, que atingiu 38 mil pessoas em abril: são cerca de 0,3%. É muito menos do que os mexicanos, guatemaltecos e salvadorenhos. Somadas, essas três nacionalidades representam quase 30 mil pessoas por mês.

No caso dos brasileiros, a maioria vem pelo rio Grande, no extremo leste da fronteira com o México. É por ali que o fluxo de imigrantes ilegais tem aumentado nos últimos anos. 

Os dados não incluem brasileiros que tenham se apresentado oficialmente nos postos de entrada na fronteira, com pedidos de asilo. Tampouco incluem as pessoas que conseguem entrar no país, sem serem pegas pelas autoridades de imigração.

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