Dezenove crianças brasileiras já foram reunidas aos pais nos EUA, diz Itamaraty

Ainda restam 30 menores nos abrigos; EUA tem até o dia 26 para reunificar todas as famílias

Criança segura cartaz em manifestação que diz, em inglês: crianças precisam de luz do sol, brincadeiras e liberdade
Manifestantes protestam em Nova York contra a separação de famílias que entram ilegalmente no território americano - Drew Angerer - 18.jul.2018AFP
Estelita Hass Carazzai
Washington

Pelo menos 19 crianças brasileiras foram reunidas aos pais nas últimas duas semanas, depois de terem sido separadas ao atravessarem a fronteira dos Estados Unidos, segundo informou a assessoria de imprensa do Itamaraty, neste sábado (21).

Ainda restam 30 menores do país nos abrigos mantidos pelo governo americano –que, por ordem judicial, precisa reunificar todas as famílias até a próxima quinta-feira (26).

A administração de Donald Trump adotou em abril uma política de tolerância zero à travessia ilegal da fronteira.

Ao contrário do que ocorria no passado, os EUA passaram a denunciar criminalmente os imigrantes pela prática. Os adultos, assim, são encaminhados a presídios federais –e seus filhos, que não podem, por lei, permanecer em prisões, são enviados a abrigos mantidos pelo governo.

 

A separação das famílias provocou comoção internacional, e foi cessada por uma ordem executiva do presidente.

Em nota enviada à Folha, o Itamaraty informou que está acompanhando os processos de reunificação, e que mantém visitas regulares aos abrigos, em contato com cada um dos menores.

O ministério também voltou a rebater as afirmações do presidente nacional da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), Claudio Lamachia, que considerou “inoperante e escandaloso” o papel do governo brasileiro no caso. 

Lamachia, que esteve nos EUA recentemente e acompanhou o caso de um menino de sete anos detido em Nova York, afirmou que o Itamaraty não constituiu advogado para o trabalho específico de buscar o retorno das crianças que querem voltar ao Brasil, algumas das quais estão detidas há mais de 50 dias.

O Itamaraty disse que os processos de reunificação são de natureza administrativa, e não exigem a atuação de um advogado. Nos casos em que isso foi necessário, organizações que promovem representação pro bono foram acionadas, e têm atuado em parceria com os consulados.

 

O órgão ainda informou que os consulados brasileiros têm feito um “acompanhamento atento” dos casos e auxiliam na juntada da documentação exigida, assim como no contato com familiares e na intermediação entre as partes.

“Desde a adoção da política de ‘tolerância zero’, o Itamaraty tem feito chegar ao governo norte-americano, em diferentes momentos, seu firme desagrado com uma prática que considera cruel e em franca violação de instrumentos internacionais de proteção aos direitos das crianças”, afirmou a nota.

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