Ministros visitam crianças brasileiras em abrigos nos EUA

Locais em Chicago abrigam 33 menores de idade brasileiros que foram separados dos pais

Estelita Hass Carazzai
Chicago

Não houve choro durante a visita de dois ministros às crianças brasileiras que foram separadas dos pais em um abrigo de Chicago, nos Estados Unidos, nesta quinta-feira (5).

O ministro das Relações Exteriores, Aloysio Nunes, e o ministro dos Direitos Humanos, Gustavo do Vale Rocha, estiveram nesta manhã na instituição que tem o maior número de menores brasileiros nos EUA, mantida pela Heartland Alliance. São 21 crianças, que têm entre 9 e 17 anos.

Os menores estavam bem cuidados, bem alimentados, demonstraram alegria com a visita e contaram que vêm assistindo aos jogos do Brasil na Copa do Mundo. Mas todos sentem a ausência dos pais, de quem foram separados ao atravessarem ilegalmente a fronteira dos EUA com o México.

No total, cerca de 2.300 crianças estrangeiras estão na mesma situação, um número que aumentou exponencialmente desde que o governo de Donald Trump anunciou uma política de tolerância zero contra a travessia ilegal da fronteira, em abril. Os pais são detidos e processados pelo crime, e, assim, separados das crianças, que ficam sob a guarda do governo americano.

Os ministros não quiseram dar detalhes sobre a visita desta quinta. Na sexta (6), cônsules brasileiros nos EUA irão apresentar seus relatos de como estão os menores visitados em outros abrigos. Só então é que Aloysio e Rocha darão uma entrevista sobre o que viram.

No total, há 16 abrigos espalhados pelos EUA que hospedam menores brasileiros. São 55 crianças, atualmente, sendo 33 em Chicago.

Mas muitos brasileiros estão sozinhos em instituições com uma maioria hispânica, sem falar espanhol e distantes até 3.500 km de suas famílias.

A rede consular brasileira tem dado assistência aos menores e pais, e deslocou equipes para todas as regiões, do Arizona até Nova York. Todos os menores foram visitados. Até a última notícia, eles estavam sendo bem cuidados e não havia relatos de situações extremas.

A maioria das crianças fica distante da família por várias semanas, aguardando o desenrolar do processo dos seus pais. Muitos pediram asilo nos EUA, e precisam aguardar a decisão judicial.

O relato dos consulados é de que não há arbitrariedade nas decisões, e que o Judiciário tem feito o possível para reunir as crianças aos pais ou parentes.

A maioria dos menores quer permanecer nos EUA, o que acaba prolongando o afastamento dos pais. O governo americano tem feito exigências para garantir que a família que recebe as crianças, nos EUA ou no Brasil, tenha condições para cuidá-la. Há checagem de antecedentes criminais e da renda familiar, entre outros critérios.

Aloysio e Rocha ainda visitariam um segundo abrigo em Chicago nesta tarde, que hospeda 12 menores brasileiros.

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