Pressionado, representante de Ortega diz que oposição tenta golpe na Nicarágua

Luis Alvarado Ramírez afirma que grupos terroristas tentam desestabilizar o presidente

Estelita Hass Carazzai
Washington

Em uma tensa sessão do conselho permanente da OEA (Organização dos Estados Americanos), nesta quarta-feira (18), o representante da Nicarágua, embaixador Luis Alvarado Ramírez, saiu em defesa do governo de Daniel Ortega, alvo de duras críticas internas e externas pela repressão a opositores, e afirmou que o país enfrenta uma tentativa de golpe de Estado fomentada por grupos terroristas.

Para Ramírez, o objetivo dos adversários é “desestabilizar o Estado da Nicarágua” e promover “uma guerra psicológica de intensidade extraordinária” para tirar do poder um governo eleito legitimamente.

A organização deve votar nesta quarta uma proposta de resolução que condena a repressão do governo de Ortega aos protestos, que deixou ao menos 360 mortos desde abril.

A situação da Nicarágua foi considerada “alarmante” pela CIDH (Comissão Interamericana de Direitos Humanos), que visitou o país e denunciou “práticas de terror, com detenções em massa e assassinatos”.

O embaixador nicaraguense diz que a OEA não tem informações suficientes a respeito da crise no país, e acusou a oposição de manter “centros de tortura e assassinatos” e de ser responsável pela morte de policiais, professores e mulheres.

“Nós estamos diante de um golpe de Estado, que ocorre de forma paulatina e progressiva”, afirmou Ramírez. “Grupos terroristas são financiados para tirar do poder um governo legítimo; é inaceitável.”

Os protestos contra o governo começaram com uma reforma da Previdência que retirava benefícios e aumentava contribuições, mas se fortaleceram com a repressão violenta aos manifestantes, que incluiu ataques ao clero.

O brasileiro Paulo Abrão, presidente da CIDH, afirmou em entrevista à agência AFP que a proporção de mortos (apenas 20 são policiais) indica “claramente” que a repressão do Estado é decisiva no confronto. “Para nós, há um único responsável: o Estado”, declarou.

Opositores acusam Ortega, que foi um dos líderes da Revolução Sandinista (1979-90), de ter se tornado um autocrata, e pedem a renúncia do mandatário esquerdista, bem como a antecipação das eleições presidenciais, previstas para 2021.

Ramírez rebateu que o pedido é movido por “pequenos grupos”, e disse que a antecipação das eleições “levaria o país de volta aos anos 1960 e 1970”, quando a ditadura dos Somoza comandava o país.

A resolução que condena a repressão do governo de Ortega foi proposta por Argentina, EUA, Canadá, Chile, Colômbia, Costa Rica e Peru, e tem o apoio do Brasil, entre outros países.

A Nicarágua tenta aprovar uma resolução alternativa, com o apoio da Venezuela e da Bolívia e outros membros da OEA.

A sessão continuava em andamento no início desta tarde.

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