Padre chileno é preso sob acusação de abuso sexual de menores

Crimes teriam ocorrido reiteradamente contra sete menores em 2002

Protesto contra abusos sexuais cometidos por padres católicos, em Osorno, no Chile - Fernando Lavoz - 14.jun.2018/Reuters
Santiago | AFP e Reuters

O padre chileno Óscar Muñoz foi detido nesta quinta-feira (12) sob acusação de ter abusado sexualmente de sete menores. Trata-se da primeira prisão desde que as autoridades lançaram uma investigação neste ano sobre caso de abusos dentro da Igreja Católica chilena, que o Vaticano acusou em fevereiro de "grave negligência" e acobertamento. 

Segundo o promotor Emiliano Aires, Muñoz, 56, é acusado de "abusos sexuais reiterados" e "estupro com circunstâncias de violação" contra sete menores no ano de 2002, nas cidades de Santiago e Rancagua. 

"Todos os crimes cometidos não prescreveram, se encontram vigentes; em consequência, a responsabilidade é pena", explicou Arias. 

Muñoz ocupou os cargos de vice-chanceler e chanceler do Arcebispado de Santiago de 2011 a maio de 2018 e era responsável por receber denúncias do abuso. Em janeiro passado, dias antes da visita do papa Francisco ao Chile, admitiu ter abusado de um menor. 

O caso foi investigado pela Igreja Católica chilena, que depois o remeteu para a Congregação para a Doutrina da Fé, no Vaticano.

Em uma operação nos escritórios dos arcebispados de Santiago e Rancagua levou à apreensão de documentos que detalhavam os abusos. A apreensão ocorreu em meio a visita do arcebispo Charles Scicluna a Chile, quem, por ordem do papa Francisco, apurava dezenas de casos de pedofilia cometidos por padres chilenos. 

Arias afirmou ainda que também investiga o suposto acobertamento dos abusos, o que poderia envolver altas hierarquias da igreja, entre eles os dois últimos arcebispos de Santiago, Francisco Javier Errazuriz e Ricardo Ezzati.

"O arcebispado de Santiago reitera a disponibilidade de colaborar com a Justiça em tudo que seja requisitado", afirmou o arcebispo Ezzati. 

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