Descrição de chapéu Governo Trump

Só duas crianças imigrantes menores de 5 anos foram reunidas aos pais nos EUA

Justiça havia determinado que governo Trump juntasse todos os 102 menores até terça (10)

Doze meninos perfilam entre agentes de imigração, que estão em duplas nas duas pontas da fila. Eles formam em um corredor entre barracas feitas de lona bege.
Grupo de crianças e adolescentes imigrantes forma fila indiana em abrigo em Tornillo, no estado americano do Texas, em junho - Mike Blake - 19.jun.18/Reuters
Estelita Hass Carazzai
Washington

Apenas duas de um total de 102 crianças imigrantes com menos de cinco anos, separadas dos pais na fronteira dos EUA, haviam sido reunidas às famílias até a tarde desta segunda-feira (9), informaram representantes do governo americano à Justiça.

Nesta terça (10), vence o prazo estabelecido por um juiz federal da Califórnia para que todos os menores imigrantes de até cinco anos, acolhidos em abrigos mantidos pelo governo, sejam reunidos aos pais.

Mas a administração de Donald Trump pediu mais tempo, argumentando que há dificuldades logísticas e que é preciso garantir a segurança das crianças.

Em audiência nesta segunda, o governo informou que deve conseguir reunir apenas 54 crianças aos pais até esta terça. É pouco mais da metade dos menores com até cinco anos.

“Eu estou satisfeito e desapontado ao mesmo tempo”, declarou o advogado Lee Gelernt, da União Americana pelas Liberdades Civis (ACLU, na sigla em inglês), que moveu a ação contra o governo.

A principal dificuldade está em localizar os pais e conseguir locais para manter as famílias em segurança. A administração estuda usar bases militares para abrigar os imigrantes, enquanto eles aguardam o desfecho de seus casos na justiça. 

Mas, nesta segunda, um outro juiz federal na Califórnia proibiu o governo de manter as famílias detidas por mais de 20 dias, como pedia a administração. Por isso, a possibilidade de liberar os pais com seus filhos em território americano não é descartada. 

A advogada Sarah Fabian, que representou o governo, disse ainda que há casos de pais deportados, e um caso em que os pais da criança não foram localizados. Além disso, pelo menos três adultos não foram identificados como pais biológicos das crianças após teste de DNA, e outros três tinham antecedentes criminais que incluíam tráfico humano, posse de narcóticos e uma acusação por homicídio. 

Para a ACLU, o governo tem imposto obstáculos burocráticos à reunião das famílias, e esse atraso é desnecessário e prejudicial às crianças. 

Já a administração defendeu os testes de DNA e a checagem de antecedentes dos pais, pedindo mais tempo para garantir a segurança dos menores. “Não podemos abrir mão dessas exigências simplesmente porque um prazo se aproxima”, informou o Departamento de Justiça, em petição.

A possibilidade de liberar as famílias com seus filhos em território americano não é descartada, em função da falta de espaço nos centros de imigração. 

A advogada Sarah Fabian, que representou o governo, disse também que há casos de pais deportados, e um caso em que os pais da criança ainda não foram localizados. 

O prazo final para que todas as crianças sejam entregues às famílias é o dia 26 de julho. No total, cerca de 2.000 menores foram separados dos pais ao atravessarem ilegalmente a fronteira dos EUA, em função da política de tolerância zero contra a imigração ilegal, anunciada em abril.

O juiz Dana Sabraw pediu que o governo apresente um relatório até a manhã desta terça, informando os procedimentos que estão sendo tomados e quantas crianças foram entregues à guarda dos pais. 

Só então é que ele decidirá se estende ou não o prazo.

Comentários

Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.