Abdo assume e promete Justiça independente e respeito a direitos humanos

Filho de secretário de Stroessner diz que Paraguai se empenhará contra crises na Venezuela e Nicarágua

Sylvia Colombo
Assunção

Com um discurso em que pregou a  reconciliação nacional, reafirmou seu compromisso com direitos humanos e com uma Justiça independente, o novo presidente do Paraguai, Mario Abdo Benítez, tomou posse na manhã desta quarta-feira (15)

O presidente do Paraguai, Mario Abdo Benítez, acena após sua posse acompanhado da primeira-dama, Silvana Lopez Moreira
O presidente do Paraguai, Mario Abdo Benítez, acena após sua posse acompanhado da primeira-dama, Silvana Lopez Moreira - Marcos Brindicci/Reuters

Na cerimônia estavam presentes o presidente Michel Temer e os mandatários argentino, Mauricio Macri, boliviano, Evo Morales, colombiano, Iván Duque, entre outros.

Marito, como é chamado popularmente, afirmou em seu discurso que seu mandato “inaugurará um Paraguai reconciliado”, e que trabalhará para que a Justiça seja independente —uma de suas principais críticas durante a campanha foi a cumplicidade entre o ex-presidente Horacio Cartes e o Judiciário.

Acrescentou que seu governo “não quer juízes amigos, porque estes contribuem para que haja impunidade. E a impunidade é um câncer”, disse o mandatário do conservador Partido Colorado.

Afirmou que não será “complacente com condutas erradas” e que busca os aplausos “na saída e não na entrada”.

Ao lado do presidente Michel Temer, o líder argentino, Mauricio Macri (de costas) conversa com o boliviano Evo Morales durante a posse de Abdo em Assunção
Ao lado do presidente Michel Temer, o líder argentino, Mauricio Macri (de costas) conversa com o boliviano Evo Morales durante a posse de Abdo em Assunção - Jorge Saenz/Associated Press

Mencionou que lutará para diminuir a pobreza —hoje 1,8 milhão de paraguaios (de uma população de 7 milhões) vive abaixo da linha de pobreza, cifra que praticamente não diminuiu durante o período Cartes.

Também afirmou que combaterá a informalidade e o contrabando porque são problemas antigos que “impedem que o governo arrecade para construir hospitais e a escolas”.

Filho do secretário do ditador Alfredo Stroessner (1954-1989), Abdo disse que defenderá os direitos humanos, e que se juntará aos outros países da América Latina para encontrar uma solução para as crises na Venezuela e na Nicarágua.

Nem Cartes nem seus parlamentares participaram da cerimônia, por estar em desacordo com Abdo.

O ex-presidente tem sido alvo de manifestações contra o legado de seu governo, por parte de grupos de jovens.

A cerimônia teve uma apresentação das Forças Armadas, com sobrevoos rasantes de aviões da Aeronáutica e 21 tiros de canhão do Exército.

TEMER

O presidente brasileiro, Michel Temer, disse a jornalistas brasileiros nesta quarta em Assunção que um dos principais temas da relação entre o Brasil e o Paraguai é o trabalho na área de segurança nas fronteiras.

"É uma prioridade seguir trabalhando conjuntamente para combater o crime organizado e o contrabando.” Indagado sobre se a estratégia de grupos de trabalho em conjunto vem realmente funcionando, Temer insistiu. “Eu creio que vem funcionando, sim, pois realizamos várias apreensões recentemente por meio dessa troca de inteligência.”

Indagado sobre a divisão dentro do partido Colorado —o presidente que assume, Mario Abdo Benítez, não pertence ao grupo do ex-presidente Horacio Cartes— Temer afirmou que não crê que isso afetará a relação entre os dois países.

“Até ouvimos durante a missa que se falou muito de reconciliação. Eu creio que o presidente Abdo vai priorizar essa pacificação e a conciliação da sociedade paraguaia.”

Temer reforçou que o anúncio da construção de duas pontes entre os dois países vai melhorar a conexão entre os dois países e beneficiará o comércio bilateral.

Perguntado sobre a queda da atividade econômica de 0,99% no segundo trimestre, segundo o Banco Central, Temer afirmou que esta se deve à greve dos caminhoneiros.

Na sequência, o ministro Carlos Marun (Secretaria de Governo) se aproximou dos jornalistas querendo dar declarações e afirmou que acredita que será possível aprovar a reforma da Previdência nos últimos meses deste ano.

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