'Brexit' sem acordo com a UE pode afetar até oferta de esperma no Reino Unido

Compras online e oferta de novos medicamentos, entre outros setores, serão afetados, diz governo

Londres | Associated Press

​Empresas podem enfrentar burocracias no comércio exterior, consumidores podem ter que pagar taxas mais altas em seus cartões de crédito, pacientes podem ter seus tratamentos de saúde atrasados e pode faltar até esperma se o Reino Unido deixar a União Europeia sem um acordo, disse o governo britânico em documento divulgado nesta quinta-feira (23).

Protesto em Londres contra a possibilidade de que pessoas tenham que estocar comida e remédios por causa do 'brexit'
Protesto em Londres contra a possibilidade de que pessoas tenham que estocar comida e remédios por causa do 'brexit' - Peter Nicholls - 22.ago.18/Reuters

No entanto, o governo da primeira-ministra Theresa May prometeu tentar limitar a instabilidade que viria com um "brexit" desordenado, com planos para lidar com a situação. Mesmo se o país sair da UE sem um acordo comercial no ano que vem, há planos para aceitar unilateralmente algumas regras do bloco e permitir que empresas de serviços financeiros europeias continuem a atuar no Reino Unido, segundo os documentos divulgados.

O Reino Unido está determinado a "gerenciar os riscos e abraçar as oportunidades", disse o secretário do "brexit", Dominic Raab. "Deixamos claro que se as negociações não atingirem um resultado ótimo, vamos continuar a ser um vizinho e parceiro responsável."

O prazo para que o país deixe a UE é 29 de março de 2019, mas as negociações têm sido atrasadas por brigas internas no governo de May.​ O Reino Unido insiste que haverá acordo, mas o governo diz estar se preparando para qualquer situação —nos documentos divulgados nesta quinta, o governo diz que empresas não devem se preocupar e que impactos à economia serão minimizados. 

Os documentos divulgados hoje são os 25 primeiros de mais de 70 que devem detalhar os planos para cada seto da economia em caso de não-acordo —os "papers" publicados nesta quinta-feira cobrem setores como serviços financeiros, saúde e energia nuclear. O restante dos documentos deve ser divulgado até o final de setembro.

O "brexit" pode afetar até mesmo a oferta de sêmen para tratamentos de fertilidade, segundo os documentos do governo britânico. Quase metado do sêmen de doadores disponível no Reino Unido vem hoje da Dinamarca, país membro da UE. Sem acordo com o bloco, o Reino Unido fica de fora de acordo sobre órgãos, tecidos e células; as clínicas de fertilidade terão que fazer novos contratos com seus fornecedores.

O governo diz que vai deixar empresas de serviços financeiros da UE operarem no Reino Unido por três anos se não houver acordo, mas que não pode garantir que o bloco permitirá a operação, o que pode fazer com que aposentados britânicos que vivem em outros países tenham dificuldade em receber suas pensões.

Compras online feitas por britânicos podem ficar mais caras, já que empresas podem cobrar mais para processar pagamentos de cartão de crédito entre o Reino Unido e a UE.

Produtos importados vindos da UE terão que ter uma declaração de importação, passar por checagem na alfândega e pagar imposto.

A questão da fronteira entre as Irlandas, uma das mais complicadas, continua em aberto. Hoje, a passagem entre a Irlanda do Norte, que faz parte do Reino Unido, e a Irlanda, que é parte da UE, é aberta.

O governo diz que vai aceitar testes de medicamentos feitos na UE, para que eles não precisem passar por novos testes para serem vendidos no Reino Unido, mas novos tratamentos terão que passar pela agência reguladora britânica. 

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