Descrição de chapéu Venezuela

Maduro unifica taxa de câmbio e desvaloriza moeda venezuelana em 96%

Moeda do país passa a ser atrelada a criptomoeda de petróleo criada pelo ditador

Caracas

O ditador venezuelano Nicolás Maduro anunciou nesta sexta-feira (17) a unificação das taxas de câmbio do país; a nova taxa passa a ser atrelada a uma criptomoeda, que por sua vez é ligada ao preço do petróleo. Com a medida, a moeda do país na prática foi desvalorizada em 96% em relação ao dólar. 

Maduro disse que o petro, a criptomoeda criada por ele no início do ano, passa a definir, além do câmbio, também o salário mínimo e as pensões. Um petro vai valer US$ 60 (R$ 235) ou 360 milhões de bolívares. 

Assim, US$ 1 (R$ 3,92) passa a valer 6 milhões de bolívares, taxa equivalente à que é usada no mercado negro e que desvaloriza a moeda do país em 96% em relação ao valor atual da taxa oficial Dicom, de 284.832 bolívares para US$ 1, segundo a agência Reuters. 

Já o salário mínimo passa a valer meio petro, ou 180 milhões de bolivares. A partir de segunda (20) entra em vigor uma medida do governo que cortará cinco zeros da moeda.  

Desde 2003 a Venezuela tem controles estritos sobre o câmbio, que economistas apontam como uma das principais causas da crise econômica do país, estando na raiz da hiperinflação e da desvalorização da moeda. 

"Eles dolarizaram nossa economia. Eu estou 'petrolarizando' a economia e os salários", disse Maduro em discurso transmitido pela TV na noite de sexta. "Vamos converter o petro em referência que se conecta aos movimentos da economia." 

Segundo ele, a mudança permitirá que o governo enfrente a "guerra econômica" dos Estados Unidos contra o país. 

Segundo o FMI (Fundo Monetário Internacional), a inflação na Venezuela este ano será de 1.000.000%. Há dúvidas também sobre como exatamente o petro vai funcionar.  

Detalhes imediatos de como as novas medidas serão implementadas não foram anunciadas. 

O líder oposicionista Henrique Capriles criticou as medidas do governo. "Nenhum venezuelano merece viver nesta tragédia ou com essas pessoas incapazes que destruíram nossa nação", disse ele. 

Reuters
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