Descrição de chapéu Eleições 2018 Venezuela

Presidenciáveis defendem solução rápida para crise na fronteira com Venezuela

Boulos acusou governadora de Roraima de xenofobia; Marina Silva culpou Dilma e Temer

Joelmir Tavares Thais Bilenky
São Paulo

Candidatos à Presidência defenderam nesta segunda-feira (20) uma saída rápida para a crise na fronteira da Venezuela com o estado de Roraima. No fim de semana, a cidade de Pacaraima foi palco de cenas de violência entre venezuelanos e brasileiros.

Ouvidos na saída de um fórum em São Paulo promovido pela Abdib (Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústria de Base), seis dos 13 presidenciáveis disseram que o governo federal deve intervir no problema urgentemente.

Guilherme Boulos (PSOL) afirmou que "o Estado brasileiro não pode assistir a essa barbárie de braços cruzados" e criticou a governadora Suely Campos (PP).

"Estive em Roraima e visitei alojamentos. Pude presenciar a xenofobia, que já vinha sendo estimulada inclusive pela governadora do estado e por parte da imprensa local. Isso foi criando uma inflamação e um clima que se desdobrou nos fatos lamentáveis dos últimos dias", disse o candidato.

O governo local defende que a imigração na fronteira seja suspensa e que os refugiados do país vizinho sejam enviados a outros estados. A gestão Michel Temer (MDB) é contra a ideia de fechar a fronteira.

Boulos falou que "é preciso ter uma liberação de recursos para dar condições dignas de acolhimento aos venezuelanos e ao mesmo tempo ter, em conjunto com o governo do estado e as prefeituras, um projeto de integração dos imigrantes à comunidade local".

Marina Silva (Rede) disse também ter visitado o estado e visto a situação precária de abrigos na capital, Boa Vista. "Imagine no município de Pacaraima, que é pequeno, sem infraestrutura, sem as mínimas condições de dar suporte para essa situação de calamidade e desespero da população venezuelana", disse a ex-senadora.

A presidenciável culpou os governos Dilma Rousseff (PT) e Temer, dizendo que "o Brasil negligenciou duplamente a situação da Venezuela".

Primeiro, disse ela, "quando, por alinhamentos políticos e ideológicos, não ajudou a que não se fosse para essa situação de falta de democracia na Venezuela, com prejuízos enormes para sua população", e agora, pela segunda vez, "quando deixa o problema dos refugiados nas mãos do estado de Roraima".

Segundo Marina, o governo estadual não tem condições de resolver o problema "praticamente sozinho".
Ela defende o que chamou de uma coalizão humanitária de países para ajudar os refugiados venezuelanos.

Manuela D'Ávila (PC do B), que representou o ex-presidente Lula (PT) no evento, disse que o Brasil deve ajudar a buscar uma saída para o problema, sem interferir na soberania do país vizinho.

"Precisamos lutar para que o Brasil retome esse papel de construção de saídas mediadas, saídas pacíficas. Também acho que o que aconteceu no fim de semana é reflexo de uma página que precisamos virar nesse processo eleitoral: a da construção de um discurso de ódio na sociedade brasileira", afirmou a deputada, que faz parte da coligação do petista.

Manuela também fez críticas à postura do Itamaraty sob Temer, dizendo que o governo "largou de mão a tradição diplomática brasileira e passou a agir como um palpiteiro de saídas para a região, inclusive legitimando certo discurso de que as intervenções poderiam ser militares, de países de outros continentes no nosso".

O candidato do PSDB, Geraldo Alckmin, lamentou o êxodo venezuelano e cobrou ajuda do governo federal, mas não detalhou sua posição a respeito da crise. “É muito triste ver a que levou o populismo fiscal na América Latina, especialmente na Venezuela”, afirmou.

“O governo federal tem o dever de ajudar Roraima, um estado menor e é claro que não tem condições de atender a tantas pessoas. É preciso ser parceiro.”

O tucano se colocou contra o fechamento da fronteira. “O Brasil tem uma tradição humanitária de receber pessoas de fora e deve fazê-lo.”

Ciro Gomes (PDT) atacou a reação xenófoba de parte da população de Roraima com a chegada dos venezuelanos.

“Eu nunca me senti com vergonha de ser brasileiro, e me senti ontem [domingo], quando vi nacionais queimarem roupa de quem já está miserável e sendo humilhado porque não consegue sobreviver no seu país”, disse.

“O Brasil está doente.”

Ciro criticou ainda o governo Temer, que “não está fazendo absolutamente nada”, o que, no seu entendimento, pode comprometer a reciprocidade que o Brasil espera de países como Estados Unidos no tratamento de cidadãos radicados.

“Os irmãos da Venezuela estão passando por maus bocados. Temos que chegar antes, ajudar esses refugiados, protegê-los”, afirmou. “Não podemos deixar que eles entrem selvagemente e destruam um tecido comunitário de cidades como Pacaraima.”

Henrique Meirelles (MDB) evitou criticar o governo Temer, do qual foi ministro da Fazenda, mas cobrou "uma postura firme", a começar por "não ajudar o regime" Maduro.

"O Brasil fez muitos empréstimos no governo anterior", criticou, referindo-se a Dilma Rousseff (PT).  "Não estou avaliando a situação nos últimos meses." 

Meirelles disse ainda que o governo precisa redirecionar os refugiados venezuelanos que estão em Roraima para outros Estados.

“O problema de Roraima tem que ser resolvido. Eles não têm condições, não têm recurso para absorver os problemas sozinhos”, disse, após evento em São Paulo. “Tem que se redirecionar os refugiados, os imigrantes para outras regiões do país que têm mais condições de assistência de saúde, educação, etc.”

Questionado se o governo Temer estava falhando na condução do problema, Meirelles desconversou, afirmando que, por não estar mais no governo “não está acompanhando os detalhes”. “Mas o meu compromisso é, chegando lá, Roraima não vai enfrentar esse problema sozinha não, nós vamos resolver.”

Colaborou Isabel Fleck

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