Descrição de chapéu Venezuela

Temos que defender o município, diz morador de cidade palco de confronto em RR

Comerciante de Pacaraima apoia expulsão de venezuelanos e critica envio da Força Nacional

Avener Prado
Pacaraima (Roraima)

O comerciante Manoel Soares, 53, estava visitando no sábado (18) uma cidade vizinha a Pacaraima, em Roraima, quando soube do confronto entre brasileiros e venezuelanos e imediatamente decidiu voltar para ajudar os moradores a expulsarem os imigrantes, mas acabou chegando muito tarde.

“Cheguei à 1h, já estava tudo calmo, mas vim ajudar porque temos que defender nosso município”, diz ele em sua loja na cidade, principal porta de entrada dos imigrantes que fogem da crise econômica e política no país vizinho.

Horas antes, Pacaraima tinha testemunhado uma onda de violência, com brasileiros queimando roupas e objetos de venezuelanos.

Ao menos 1.200 estrangeiros foram escoltados pelo Exército para o outro lado da fronteira, embora a estimativa é que outras centenas também tenham fugido por conta própria —parte deles já retornou ao território brasileiro.

O conflito teve início após um comerciante local ter sido agredido por um grupo de venezuelanos durante um assalto. 

Morador de Pacaraima há 25 anos, Soares defende a atitude dos moradores no sábado. “Foi a melhor coisa que podia acontecer, limpou a cidade. Eles estavam assaltando as pessoas” disse.

Segundo ele, após o confronto a maior parte dos venezuelanos que ficavam na frente da rodoviária deixou o local.

O governo federal respondeu ao caso anunciando o envio de 120 homens da Força Nacional, o que Soares acha que não vai funcionar.

“Vão mandar mais Força Nacional para quê? Eles só vem para ganhar diária, não fazem nada, era melhor investir na PM”, diz ele, que também reclama da atuação do Exército na cidade.

“Eles [os venezuelanos] ficaram oito meses morando na rodoviária, urinando e defecando no meio da rua. O Exército pegou o dinheiro e não fez nada. Só tem banheiro na rodoviária, não suporta tanta gente. O Exército tem que fazer acampamento, fazer banheiro”.

Ele elogia, porém, o pedido do governo do estado de impedir a entrada de novos imigrantes. "O melhor seria fechar a fronteira, fazer um cordão sanitário e não deixar passar ninguém".  

Com 12 mil moradores e um índice de desenvolvimento humano semelhante ao do Iraque, Pacaraima tinha cerca de 3.000 venezuelanos antes do confronto de sábado.

Desde o início da crise, há dois anos, cerca de 130 mil venezuelanos já entraram no país fugindo da crise humanitária, econômica e política que assola o país do ditador Nicolás Maduro, onde o desabastecimento é generalizado e a inflação prevista para o ano é de 1.000.000%, segundo o Fundo Monetário Internacional. A maioria se dirigiu para Boa Vista, mas muitos ficaram em Pacaraima.

Mais da metade dessas pessoas, porém, já teria deixado o país, segundo o governo federal. Outra parcela foi interiorizada para estados como São Paulo e Rio de Janeiro.

Para Soares, esse fluxo de imigração trouxe graves consequências para a cidade. "Acabou o comércio, acabou o turismo", diz ele, que afirma que viu uma queda de 90% nas vendas. 

“Essa imigração veio para destruir tudo. A polícia não dá conta, a educação não dá conta, a saúde não dá conta. O estado estava começando a se recuperar e essa imigração destruiu tudo”, afirmou.

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