Descrição de chapéu The New York Times

Universidade suspende professora feminista acusada de assediar aluno gay

Instituição de Nova York afastou Avital Ronell após 11 meses de investigação de sua conduta

O estudante Nimrod Reitman posa diante de dormitório da NYU
Nimrod Reitman denunciou a professora Avital Ronell, sua orientadora, sob a acusação de assédio sexual - Caitlin Ochs/The New York Times
Zoe Greenberg
Nova York | New York Times News Service

O caso parece uma história conhecida virada de cabeça para baixo: Avital Ronell, uma mundialmente conhecida professora de alemão e literatura comparada na Universidade de Nova York, foi considerada responsável por assediar sexualmente um ex-aluno de graduação, Nimrod Reitman.

Uma investigação de 11 meses relacionada ao Título 9º [cláusula da lei de direitos civis aprovada em 1972, que protege as pessoas de discriminação sexual em programas educacionais] considerou Ronell, que é descrita por um colega como “uma das poucas estrelas-filósofas deste mundo”, responsável por assédio sexual, físico e verbal, a tal ponto que seu comportamento foi “suficientemente invasivo para alterar os termos e as condições do ambiente de aprendizado do senhor Reitman”. A universidade suspendeu Ronell pelo próximo ano acadêmico.

No relatório final do Título 9º, trechos do qual foram obtidos por “The New York Times”, Reitman disse que a professora o assediou sexualmente durante três anos. 

Ocorrendo em plena prestação de contas do movimento #MeToo sobre má conduta sexual, o caso levantou um desafio para as feministas —como reagir quando uma delas se comporta mal?

Logo depois que a universidade fez sua avaliação final e confidencial nesta primavera, um grupo de professores do mundo todo, incluindo importantes feministas, enviou uma carta à NYU em defesa de Ronell.

“Apesar de não termos acesso ao dossiê confidencial, trabalhamos durante muitos anos em proximidade com a professora Ronell”, escreveram os professores em um rascunho da carta postado em um blog de filosofia em junho. 

“Todos vimos seu relacionamento com os estudantes, e alguns de nós conhecemos o indivíduo que lançou essa campanha maliciosa contra ela.” 

Os críticos consideraram a carta, que enfoca os potenciais prejuízos à reputação de Ronell e à sua forte personalidade, como uma repetição de antigas defesas de homens poderosos. Reitman é gay e está casado com um homem; Ronell é lésbica.

Ronell, 66, negou qualquer assédio. “Nossas comunicações —que hoje Reitman afirma que constituíram assédio sexual— foram entre dois adultos, um homem gay e uma mulher queer, que compartilham a origem israelense, assim como uma inclinação para comunicações floreadas e afetadas, decorrentes de experiências e sensibilidades acadêmicas comuns”, escreveu ela em uma declaração ao New York Times.

“Essas comunicações foram repetidamente solicitadas, correspondidas e incentivadas por ele durante um período de três anos.” 

Dois anos depois de se formar na NYU, com doutorado, Reitman moveu uma denúncia sob o Título 9º contra sua ex-orientadora, alegando assédio sexual, agressão sexual, perseguição e retaliação. Em maio, a universidade considerou Ronell responsável por assédio sexual e a liberou das outras acusações.

O advogado de Reitman, Donald Kravet, disse que ele e seu cliente elaboraram um processo contra a universidade e Ronell, e agora estão considerando suas opções.

John Beckman, um porta-voz da universidade, escreveu em um comunicado ao que a NYU é “empática” a Ronell pelo que ela passou.

Mas, acrescentou Beckman, “diante da prontidão, da seriedade e da profundidade com que reagimos às acusações dele não acreditamos que seu processo de muitos milhões de dólares contra a universidade seja sancionado ou justo”.

Tradução de Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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