Descrição de chapéu Governo Trump

Trump ordena investigação do FBI sobre suspeitas de abuso de juiz nomeado

Republicanos concordam em adiar votação no Senado para nomeação de Brett Kavanaugh

Manifestante é detida em protesto contra o juiz Brett Kavanaugh, no Capitólio, em Washington - Saul Loeb/AFP
Júlia Zaremba
Washington | Reuters e Associated Press

O presidente Donald Trump ordenou nesta sexta (28) que o FBI conduza uma investigação sobre as acusações de ataque sexual que pesam contra o juiz Brett Kavanaugh. 

"Como o Senado solicitou, essa atualização deve ser limitada no escopo e concluída em menos de uma semana", afirmou, em comunicado.

A decisão foi tomada após líderes republicanos concordarem em adiar a votação sobre a nomeação do juiz para a Suprema Corte dos Estados Unidos para que as apurações fossem realizadas.

A votação final ocorreria, originalmente, na terça (2) no plenário da casa. Ele precisa de ao menos 50 votos para ser aprovado (a casa tem 51 republicanos).

Kavanaugh disse que está disposto a colaborar com as apurações. “Eu fiz tudo o que eles solicitaram e vou continuar a cooperar”, disse, em comunicado.

Uma advogada de Mark Judge, que teria testemunhado o ataque sexual de Kavanaugh, afirmou que ele também estaria disposto a falar com o FBI.

A proposta de adiamento partiu do senador republicano Jeff Flake, durante uma sessão tumultuada no Comitê Judiciário do Senado que aprovou, por 11 votos a 10, a indicação do juiz à mais alta corte do país.

O senador disse que votaria “não” caso a investigação não ocorresse ou a votação fosse adiantada. Antes disso, ele foi confrontado por duas mulheres no elevador enquanto seguia para a audiência sobre a sua posição pró-Kavanaugh, o que poderia explicar a sua intervenção.

Uma das mulheres disse que havia sido atacada sexualmente e que a mensagem que ele passa para as mulheres do país é de que elas "não importam". Ele manteve uma postura cabisbaixa e se limitou a dizer "sinto muito".

Durante a tarde, uma advogada de Mark Judge, que teria testemunhado o ataque sexual de Kavanaugh, afirmou que ele estaria disposto a cooperar com FBI sobre a acusação.

Sobre o adiamento, o presidente Donald Trump afirmou que deixará nas mãos do Senado a resolução do caso. "Só quero que funcione para o país", disse.

A senadora democrata Dianne Feinstein (dir.), ao lado do presidente do Comitê do Judiciário, o republicano Chuck Grassley - Brendan Smialowski/AFP
Na quinta, a comissão ouviu depoimentos de Christine Blasey Ford, que acusa o juiz de tê-la atacado sexualmente na década de 1980, e do próprio magistrado.

Ela disse ter 100% de certeza de que ele foi o autor do ataque, e ele negou, de forma agressiva, todas as acusações que pesam contra ele —outras duas mulheres o acusam de algum tipo de delito sexual.

"Penso que o testemunho dela foi bem forte, e ela parece ser uma boa mulher para mim", afirmou Trump. "O testemunho de Brett foi, também, algo que eu nunca tinha visto antes."

A sessão da manhã desta sexta foi tumultuada, marcada por um clima de polarização e por protestos de senadores democratas, que chegaram a sair da sala.

Os discursos dos senadores republicanos se concentraram na defesa de Kavanaugh, em críticas a democratas e na continuidade de seu processo de nomeação. Já os democratas defenderam Ford e criticaram o fato de o FBI não ter investigado as suas alegações.

Três mulheres já acusaram Kavanaugh de algum tipo de delito sexual, o que tem levado a um atraso no processo de nomeação para a Suprema Corte. Ele é o segundo nome indicado por Trump para o órgão --o primeiro foi Neil Gorsuch, conservador moderado que assumiu em abril de 2017.

Um grupo de manifestantes contra Kavanaugh, que gritavam "nós acreditamos na Christine", foi detido no Senado. Durante as audiências da quinta (27), cerca de 60 pessoas foram presas enquanto bloqueavam uma rua em Washington.

Em Nova York, um grupo de 30 pessoas também protestou contra o juiz Brett Kavanaugh em frente ao número 780 da terceira avenida. No prédio estão localizados os escritórios dos senadores Charles Schumer e Kirsten Gillibrand, ambos democratas que se opõe à indicação.

Eles seguravam cartazes com frases de apoio às supostas vítimas de abuso sexual cometido pelo magistrado e pediam que a audiência de confirmação fosse adiada até que uma investigação do FBI (polícia federal americana) sobre os episódios fosse concluída.

Caso o juiz seja finalmente aprovado, o equilíbrio da corte será alterado. Ela passará a ter quatro progressistas e cinco conservadores.

Se a nomeação for rejeitada, e os democratas consigam maioria em ao menos uma das casas do Congresso nas eleições legislativas de novembro, o processo pode se estender para até depois de 3 de janeiro, quando começa a nova legislatura, o que complicaria a vida de Trump.

Erramos: o texto foi alterado

Diferentemente do informado em edição anterior deste texto, os novos parlamentares americanos tomam posse em 3 de janeiro de 2019.

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