China e Rússia criticam isolamento dos EUA e defendem multilateralismo na ONU

Dias antes, Trump havia defendido medidas protecionistas na Assembleia Geral da organização

Nova York | Associated Press

Dias depois de o presidente dos EUA, Donald Trump, rejeitar o globalismo diante de líderes mundiais na ONU (Organização das Nações Unidas), a China e a Rússia se posicionaram nesta sexta-feira (28) como defensoras do internacionalismo, afirmando que estão cumprindo suas promessas enquanto Washington não o faz.

 
Wang Yi, ministro do exterior chinês, discursa na Assembleia Geral da ONU
Wang Yi, ministro do exterior chinês, discursa na Assembleia Geral da ONU - Don Emmert/AFP

O ministro do exterior chinês, Wang Yi, negou que seu país esteja tentando superar os EUA como líder mundial, mas seu discurso na Assembleia Geral da ONU foi bem diferente da mensagem “América Primeiro” de Trump, no qual ele defendeu o direito ao isolacionismo.

A fala de Wang veio após o aumento da tensão entre os EUA e a China, que Trump acusou nesta semana de interferir nas próximas eleições americanas. A China nega.

A Rússia também enfrenta acusações dos EUA de interferência em eleições, negadas pelo ministro do exterior russo Serguei Lavrov.

Assim como Wang, Lavrov usou seu discurso na ONU para defender vigorosamente organizações multilaterais. “A diplomacia e a cultura das negociações e do comprometimento vêm sendo crescentemente substituídas por movimentos unilaterais”, afirmou.

Em referência às sanções dos EUA e da União Europeia aos russos, Lavrov disse que as potências ocidentais “não hesitam em usar nenhum método, incluindo chantagem política, pressão econômica e força bruta”.

Lavrov e Wang não foram os únicos líderes a defenderem o multilateralismo encontro na ONU. Mas levando em conta a declaração de Trump de que os americanos “rejeitam a ideologia do globalismo”, os discursos chinês e russo soam como uma réplica das potências concorrentes.

“Devemos buscar apoiar a arquitetura da ordem mundial ou permitir que ela se desgaste e entre em colapso?”, questionou Wang. “A resposta da China é clara. A China vai manter seus compromissos e permanecer uma campeã de multilateralismo.”

Na semana em que Washington aumentou as tarifas para produtos chineses, Wang criticou o protecionismo, insistiu que a “China não vai ser chantageada nem ceder à pressão” e alertou que o “movimentos unilaterais trarão danos a todos”.

Já Lavrov destacou o papel da Rússia nos esforços para dar um fim à guerra civil na Síria e disse que Moscou vai fazer “tudo o possível” para preservar o acordo multinacional de 2015 cujo objetivo é restringir o programa nuclear iraniano, apesar da decisão dos EUA de se retirar dele.

O ministro russo chamou a saída dos EUA  desse acordo de violação das resoluções da ONU e de uma ameaça à estabilidade no Oriente Médio.

A defesa do multilateralismo não é feita sem interesse próprio pela Rússia e pela China. Os dois países têm poder de veto no poderoso Conselho de Segurança e têm feito uso desse recurso em anos recentes em assuntos como o uso de armas químicas na Síria, da qual a Rússia é aliada.

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