Russos acusados no exterior viram celebridades na Rússia

Carreiras políticas ou na TV são alguns destinos de ex-espiões

Alexander Petrov (dir.) e Ruslan Boshirov aparecem em câmera de segurança da estação de trem de Salisbury, na Inglaterra - Metropolitan Police Service - 3.mar.18/ AFP

A última vez que o Reino Unido acusou dois russos de assassinato, um deles acabou eleito para o Parlamento russo. 

O caso de Andrei Lugovoi, suspeito pelo assassinato do ex-agente da KGB Alexander Litvinenko, mostra como os dois supostos agentes de inteligência militar acusados pelo Reino Unido de terem envenenado o ex-espião Serguei Skripal pode levar a carreiras de sucesso na Rússia se vierem a público. 

O presidente Vladimir Putin disse nesta quarta (12) que os dois, identificados pelas autoridades britânicas pelos nomes Alexander Petrov e Ruslan Boshirov, parecem ser inocentes. Ele sugeriu que os dois contem sua história para "algum canal de mídia". 

Horas depois, a TV estatal russa disse ter falado com Petrov e que ele planeja falar sobre o caso semana que vem. Casos anteriores mostram que isso pode ser uma alavanca para o Parlamento ou um programa de TV. 

Quando alguns russos foram acusados de crimes no exterior, líderes políticos e empresariais se uniram a eles e os tornaram celebridades. 

O ex-espião da KGB (polícia secreta soviética) e empresário russo Andrei Lugovoi, acusado de ser o responsável pela morte por envenenamento do espião Alexander Litvinenko, em novembro de 2006, em Londres - Alexander Zemlianichenko/Associated Press

ANDREI LUGOVOI

Acusado de ter envenenado Litvinenko com o isótopo radioativo polônio-210, Lugovoi canalizou sua fama para uma carreira política. Em 2007, ele foi eleito para o Parlamento pelo partido nacionalista LDPR, que tem fortes ligações com o Kremlin. 

Desde então, ele deu nome à Lei Lugovoi, uma medida de 2014 que permite que autoridades bloqueiem sites "extremistas" sem uma decisão judicial, e comenta regularmente sobre o caso Skripal para a TV estatal. 

A Constituição russa proíbe a extradição de suspeitos de crimes, e o status de Lugovoi como parlamentar dá a ele imunidade de ser processado em casa. Outro suspeito pelo mesmo caso, Dmitry Kovtun, manteve o perfil baixo.

A espiã russa Anna Chapman, deportada dos EUA em 2010 - David Azia - 21.mai.13/Associated Press

ANNA CHAPMAN

Quando o FBI deteve 10 agentes em 2010 e os enviou para a Rússia em uma troca de espiões, um deles chamou a atenção dos tabloides.

Então com 28 anos, Anna Chapman, casada com um britânico, lançou uma carreira de modelo na Rússia e uniu-se temporariamente à ala jovem de um partido pró-Putin.

Ela ficou mais conhecida, no entanto, como a apresentadora do programa "Chapman's Secrets" (os segredos de Chapman), que combina retórica anti-americana com teorias da conspiração e misticismo. 

"Por que a ciência não admite que objetos voadores não identificados são naves alienígenas?", ela disse em um episódio. "Nossa hipótese de que a inteligência alien fez um conluio com a elite dominante foi recentemente e inesperadamente provada. Por que os políticos e os soldados mantêm silêncio? Eu, Anna Chapman, vou revelar esse segredo." 

A ativista pró-armas Maria Butina, em Moscou - Pavel Ptitsin - 22.abr.12/Associated Press

MARIA BUTINA

Acusada de trabalhar como uma agente infiltrada nos EUA, Maria Butina está rapidamente se tornando uma celebridade na Rússia. 

Ele era uma ativista pró-armas relativamente obscura no país antes de começar a fazer contatos políticos entre republicanos e a National Rifle Association, nos EUA. Agora, a foto de Butina é o avatar da Chancelaria russa em perfis nas mídias sociais. 

A retórica do governo a retrata como uma mártir da paranoia americana e uma vítima das más condições da prisão em Washington D.C. onde ela ficou enquanto esperava julgamento.

Associated Press
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