Descrição de chapéu Venezuela

EUA acusam Caracas de envolvimento em morte de opositor

Versão oficial é que Fernando Albán se suicidou na prisão; países pedem investigação

Washington | Reuters

O governo dos Estados Unidos acusou o regime do ditador Nicolás Maduro de envolvimento na morte do vereador de oposição Fernando Albán, encontrado morto dentro da prisão na última segunda-feira (8).

"Os Estados Unidos condenam o envolvimento do governo Maduro na morte do vereador oposicionista Fernando Albán", diz o comunicado divulgado pela Casa Branca nesta quarta (10).

A versão oficial de Caracas é que ele se suicidou quando ia para uma audiência de custódia —o vereador estava preso na sede do Serviço Bolivariano de Inteligência (Sebin, polícia política do regime de Nicolás Maduro).

O caixão de Fernando Albán durante cerimônia na Assembleia Nacional, em Caracas, nesta terça (9)
O caixão de Fernando Albán durante cerimônia na Assembleia Nacional, em Caracas, nesta terça (9) - Marco Bello - 9.out.18/Reuters

Foi a primeira vez que um governo acusou Caracas de envolvimento no caso. Na terça (9) a ONU, a União Europeia e o Brasil pediram separadamente uma "investigação transparente" do assunto, mas não chegaram a responsabilizar o regime de Maduro. 

O advogado do oposicionista já tinha questionado a versão oficial e seu partido, o Primeiro Justiça, considera que ele foi assassinado no cárcere.

O texto da Casa Branca não acusa diretamente as autoridades venezuelanas de terem matado Albán, mas critica o fato de ele ter morrido enquanto estava em custódia do governo e promete novas ações contra Caracas.

"A administração Trump vai continuar a aumentar a pressão contra o regime Maduro e s eus aliados até que a democracia seja restaurada na Venezuela", afirma a nota. 

"Os Estados Unidos pedem a soltura imediata de todos os presos políticos e que o regime Maduro tome medidas diretas e concretas para reestabelecer a democracia na Venezuela e para prevenir mais sofrimento e derramamento de sangue", completa o comunicado. 

Albán foi preso na última sexta (5) ao pousar no aeroporto internacional de Maiquetía, que serve Caracas, após sair de Nova York. Ele tinha ido aos Estados Unidos para visitar os filhos e para participar de um ato contra Maduro ao lado do correligionário e ex-presidente da Assembleia Nacional Julio Borges, exilado na Colômbia. 

Tanto Albán quanto Borges eram acusados por Caracas de ligação com o suposto atentado contra Maduro feito em 4 de agosto. Na ocasião, dois drones explodiram no centro de Caracas, quando o ditador participava de um evento militar no local. 

Mais de 20 pessoas foram presas pelo governo acusadas de participar da ação e Maduro afirmou que os Estados Unidos e a Colômbia ajudaram a realizar os ataques, mas não apresentou provas da acusação. Albán negava envolvimento com o caso.  

 
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